Braskem
EMPREENDEDORES COBRAM ANTECIPAÇÃO DE INDENIZAÇÕES
Profissionais liberais, comerciantes e empreendedores consideram ajuda de R$ 10 mil insuficientes
Os empreendedores do bairro de Bebedouro precisam sair de seus pontos até dezembro. Seus estabelecimentos receberam o selo da Defesa Civil e do corpo técnico da Braskem para desocupação. A maioria está desesperada por não encontrar novo ponto e reclama que o auxílio mudança de R$ 10 mil da empresa causadora do problema não cobre despesas com montagem do novo ponto e indenização de funcionários. Eles querem antecipação de R$ 100 mil inclusive para os comerciantes que não estão em áreas de risco. A Braskem não fala em antecipação de indenizações. Garante que está negociando com moradores e empreendedores. O Ministério Público Federal cobra agilidade nos pagamentos de indenizações.
Os desmoronamentos das 35 minas de sal-gema, a ameaça de afundamento radical do solo e outros problemas causados pela Braskem, além de prejudicarem 8.334 proprietários de imóveis, inviabilizam os negócios de 3.600 empreendedores e de 800 informais. Comerciantes como o ambulante de coco verde Edson dos Santos, da praça Lucena Maranhão, teme pelo pior. “Vendia 500 cocos por semana. Agora, vender 50 é um sufoco. Quando todo mundo for embora e o bairro afundar o que vou fazer da vida?” questiona.
O comerciante de móveis e eletrodoméstico Wandekes Firmino explicou que a clientela era de Bebedouro, Bom Parto, Mutange e Pinheiro. Há mais de um ano o faturamento mal consegue pagar as despesas de manutenção e o aluguel de R$ 2 mil do imóvel. “Sem ter para quem vender fui obrigado a demitir. Hoje mantenho apenas uma funcionária e não acho outro ponto para me restabelecer”, diz. “E tem outro problema: como vou montar novo negócio, pagar mudança, fazer a propaganda com R$ 10 mil do auxílio da Braskem?”, questiona.
A micro empresária do ramo de confecções Marilene da Silva Vieira não quer sair do bairro, mas não tem alternativa. “Meus clientes são dos quatro bairro que estão ficando vazios. Se ficar vou vender para quem?”. Há dois meses procura imóvel pra alugar na parte alta e não acha. “Quem vai pagar pelo meu prejuízo?", cobra.
O drama dos empreendedores deverá ganhar repercussões internacionais. O presidente da Associação dos Empreendedores do Pinheiro, Alexandre Sampaio, que atua em parceria com os empreendedores dos outros três bairros afetados, quer mostrar os prejuízos causados pela Braskem aos 3.600 empreendedores e 800 informais aos acionistas da empresa nos Estados Unidos. “Se for possível levaremos o caso até a Organizações das Nações Unidas”, desabafou o líder classista.
“As pequenas lojas, os consultórios de profissionais liberais e os pequenos empreendedores não conseguem se mudar e nem se instalar em outro ponto com apenas R$ 10 mil”, afirmou Sampaio, que junto com os empreendedores cobra o pagamento de R$ 100 mil como antecipação das indenizações. A maioria dos prejudicados trabalha em imóveis alugados, a paralisação dos negócios faz aumentar os prejuízos, por isso cobram indenizações materiais e morais e indenização por lucro cessante (os lucros que deixaram de ter).
Segundo Alexandre Sampaio, entre setembro e novembro as empresas planejam os investimentos e prioridades para o próximo ano. “Agora imagine a situação dos empreendedores: a Braskem já tem os documentos de mais de 50 empresas da Associação dos Empreendedores, mas não fez sequer uma proposta de acordo”.
A preocupação é maior com alguns segmentos, como as escolas. “Entre outubro e novembro, os pais decidem onde os filhos vão estudar. Então os donos das escolas estão paralisados. Perderam os alunos para 2021, sem indenização não podem investir numa nova sede em outro bairro”.
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