Economia
Governo faz roteiro para atrair empres�rios
EDIVALDO JUNIOR O coordenador da Célula de Desenvolvimento Econômico de Alagoas, Arnóbio Cavalcanti, interrompeu, por alguns minutos, uma reunião com empresários de São Paulo para conceder esta entrevista, no último dia 16, na sede da Secretaria Executiva da Indústria e Comércio (Seic), onde funciona seu gabinete. Coincidência ou não, no mesmo instante, um grupo de empresários do Paraná chegou para se reunir com Geminiano Jurema, secretário-executivo da Indústria e Comércio. No dia seguinte, ele tinha compromisso com empresários do Ceará, em Fortaleza. Durante toda a semana, as agendas dele, a de Geminiano Jurema e a do governador Ronaldo Lessa estavam cheias de compromissos com empresários de outros estados. Conversar muito, participar de incontáveis reuniões, discutir e apresentar propostas de desenvolvimento para Alagoas. Essa tem sido a rotina de Arnóbio Cavalcante desde que assumiu, no começo deste ano, a Célula de Desenvolvimento Econômico. Ele tem a missão de recolocar Alagoas na trilha do crescimento econômico e social. A primeira cartada de Arnóbio Cavalcante foi apresentada no dia 12, no Palácio do Governo, quando lançou para uma platéia de lideranças empresariais de Alagoas e do Brasil o projeto ?Carta Alagoas? - quem quiser pode chamar também de ?Pacto Alagoas?- apresentado como nova base do desenvolvimento do Estado. Foram 20 ações e projetos apresentados de uma só vez. Para quem cobra resultados concretos, Arnóbio Cavalcante pede um pouco de paciência. ?Nesse primeiro momento apresentamos as linhas gerais, a base teórica do projeto. A partir de agora e pelos próximos três ou quatro meses cada uma das 20 ações anunciadas será transformada em realidade?, tranqüiliza o secretário celular. Novo plano Arnóbio Cavalcante anuncia para março uma nova solenidade, nos mesmos moldes do lançamento do ?Carta Alagoas?. Ele espera trazer para o ato de lançamento do Plano de Desenvolvimento de Alagoas, um estudo que está sendo concluído pela Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná (ADTP) ministros e pesos-pesados da economia, a exemplo de Antônio Ermírio de Moraes. ?Vamos apresentar nesse plano todas as informações necessárias para empresários interessados em investir em Alagoas. Na verdade, vamos mostrar os caminhos para os investidores. O plano, qual o melhor investimento em cada região do Estado. Vamos fornecer detalhes importantes, como a disponibilidade de energia, de recursos naturais, de mão-de-obra, incentivos, potencialidades do mercado, custos de transporte, instalação, etc. Será, na verdade, um manual completo para orientar o empresário que quiser investir em Alagoas?, explica Arnóbio Cavalcante. Roteiro empresarial A primeira grande ação do ?Carta Alagoas?, destaca Arnóbio Cavalcante, é o que ele costuma chamar de ?roteiro do desenvolvimento?. Os empresários que chegam ao Estado são recebidos primeiro por técnicos da Seic. Depois de uma primeira filtragem participam de reuniões com secretários de Estado ? normalmente ele ou Geminiano Jurema ? e em seguida são encaminhados para reuniões com as diretorias das federações do Comércio, da Indústria ou da Agricultura, dependendo da área de interesse de cada um. Depois dessas visitas é feita a última filtragem. E se, de fato, o empresário demonstra interesse em trazer negócios para o Estado, é marcada uma reunião com o governador do Estado. ?Estamos usando toda a logística do Estado para atrair os investidores. Eles chegam, conhecem nossas potencialidades, a legislação existente, conversam com empresários, visitam lugares onde podem instalar suas empresas, enfim, damos toda a atenção e agimos com o propósito de demonstrar que queremos trazê-los para cá?, resume Arnóbio Cavalcante. O presidente da Federação das Indústrias (FIEA), José Carlos Lyra, que participa do roteiro cultural, está entusiasmado com o novo momento. ?O governo está fazendo a sua parte. A legislação foi aperfeiçoada e existe uma equipe afinada com a classe empresarial e disposta a construir o desenvolvimento?, afirma. Lyra acredita no sucesso do plano de desenvolvimento de Alagoas e cita como exemplo mais concreto o Arranjo Produtivo Local (APL) Plástico e Químico do Pólo de Marechal Deodoro. ?Nos próximos meses algumas empresas vão confirmar a instalação de unidades no pólo?, diz. O empresário Heitor Vilela Junior, do Paraná, que esteve reunido com Geminiano Jurema na terça-feira, 16, deixou Alagoas essa semana satisfeito. Ele atua no ramo de embalagens e quer abrir uma filial no Nordeste. Se depender do atendimento, deve optar por Alagoas. ?Fui muito bem recebido?, atesta. Ficou de voltar em janeiro para novas conversas.