Pesquisa
ÍNDICE DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS DE MACEIÓ RECUA PELA NONA VEZ
Em outubro, índice recuou 11,2 pontos na comparação com o mesmo mês do ano passado
O Índice de Consumo das Famílias (ICF) recuou 11,2 pontos em Maceió em outubro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. Esta é a nona baixa mensal consecutiva. Os dados constam na pesquisa do Índice de Consumo das Famílias realizada pelo Instituto Fecomércio-AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nessa segunda-feira (30).
O índice varia de 0 a 200, onde 100 demarca a fronteira entre a avaliação de insatisfação e de satisfação do consumidor. Logo, abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação, enquanto acima de 100 indica satisfação. O ICF investiga junto aos consumidores as avaliações que estes fazem sobre sete itens: emprego atual, perspectiva profissional, renda atual, facilidade de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo no curto prazo e oportunidade para compra de bens duráveis.
A pesquisa evidenciou uma disparidade quando analisada a renda das famílias. Isso porque, entre as que ganham até dez salários mínimos o ICF ficou em 90,2 no mês passado, ante 112,2 das que recebem acima de dez salários mínimos. Entre os ricos maceioenses, o ICF recuou 19,1 pontos, saindo de 131,3 em outubro do ano passado para 112,2 no mês passado. Contudo, o ICF não ficou abaixo de 100 nessa faixa salarial. Já entre os que ganham até dez salários mínimos o recuo foi de 10,7 pontos, saindo de 100,3 em outubro de 2019 para 90,2 em outubro passado. Desde o mês de maio que o ICF ficou abaixo de 100 entre as famílias mais pobres.
Quando analisados separadamente os indicadores, o que trata sobre a manutenção de emprego atual teve crescimento de 0,4 pontos percentuais em outubro. Considerando que no mês anterior a alta foi de 1,4 pontos, os números atuais indicam que os consumidores estão com menos medo de perderem seus postos de trabalho.
“Isto ajuda a reduzir as incertezas e a elevar os níveis de consumo no futuro próximo, já que a recuperação do consumo ainda não aconteceu na economia da capital”, explica o economista Felippe Rocha.
Ainda assim, de acordo com a pesquisa, o subindicador que avalia se há perspectiva de melhora profissional no horizonte até o final do ano apontou queda de 5,4 pontos, mesmo percentual registrado em setembro. “Ainda vivenciamos os efeitos da pandemia, mas de certa forma há uma volta da normalidade no ritmo de trabalho e do comércio, fazendo com que a confiança em manter o emprego seja alta. Porém, como os empresários tiveram muitos prejuízos este ano, dificilmente os colaboradores vão receber melhoria em seus rendimentos”, estima.
Outro cenário exposto na pesquisa é que, embora a inflação de outubro tenha sido a mais alta dos últimos 18 anos, ficando em 0,86%, e que a inflação da baixa renda, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tenha sido de 0,71%, os consumidores apontam que a renda atual está 0,7 pontos percentuais maior quando comparada ao mesmo mês do ano passado.
Segundo a Fecomércio, este desempenho pode ser explicado pelo fato de o Auxílio Emergencial e o saque emergencial do FGTS ainda estarem em vigor e as famílias que não perderam o emprego, mas que estão usufruindo desses benefícios, estão com a renda temporariamente maior do que no mesmo período do ano passado, criando o que a Economia chama de ilusão monetária.
Mesmo com o consumo em queda, os números mostram que, impulsionadas pelo Dia das Crianças e promoções pontuais, as compras a prazo aumentaram em outubro, com um crescimento de 8,1% no uso do crédito. Já o subindicador das perspectivas de consumo para os próximos meses apresentou queda de 2,6 pontos percentuais, refletindo a redução de beneficiários do saque emergencial do FGTS e do Auxílio Emergencial que, em outubro, foi reduzido pela metade e limitado a um número menor de pessoas. Assim, em Maceió, a intenção em adquirir bens duráveis caiu 7 pontos percentuais, sinalizando que a renda adicional extraordinária está sendo utilizado para bens de consumo não-duráveis, principalmente para alimentação.