Economia
ALTA DO DÓLAR E PANDEMIA MUDAM CEIA DE ALAGOANOS
Produtos importados darão lugar aos nacionais na mesa das famílias neste Natal
Além de ter provocado uma crise na saúde em escala global, a pandemia causada pelo coronavírus trouxe consigo uma recessão econômica que refletiu, entre outras coisas, no hábito de consumo dos brasileiros e, consequentemente, dos alagoanos. Com uma retração de 9,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) registrada no segundo trimestre deste ano, o País viu sua moeda se desvalorizar em relação ao dólar em plena pandemia.
A consequência disso foi o aumento no preço de produtos importados, cujo reflexo será sentido na ceia natalina. Um levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que o Brasil terá em 2020 o Natal com menor participação de produtos importados em mais de uma década.
Apesar disso, o presidente da Associação Alagoana de Supermercados (ASA), Raimundo Barreto, diz estar otimista com a venda de importados durante as confraternizações, mas destaca possível sobressalto na demanda de produtos nacionais. “Mesmo com o preço elevado por conta do dólar, estamos otimistas que os produtos importados tenham uma boa venda”, diz. “Mas o mais provável é que os nacionais tenham uma demanda maior, já que são mais baratos, e o consumidor busca o que melhor se adéqua ao seu bolso”.
Foi justamente o preço elevado que fez a família do auxiliar de escritório Lucas Brandes optar por produtos nacionais para incrementar a ceia de Natal. “Ao invés de comprar nozes frescas e mais caras, minha família optou por substituir por castanha do Pará e de caju, aproveitando que ganhei um pacote com esses produtos da empresa onde trabalho”, disse.
A substituição de produtos importados por nacionais também é uma realidade para a estudante universitária Fernanda Tenório. “Até o momento, não compramos queijo, não sei se ainda compraremos. Já o vinho, com certeza optaremos por um nacional”, diz.
Além da alta no preço de produtos importados, a ceia natalina dos alagoanos deste ano deverá ser mais “magra” em relação ao ano passado, já que, com o isolamento social e o aumento de casos de Covid-19 no Estado, algumas famílias resolveram adotar uma espécie de “ceia remota”, afim de proteger seus entes queridos. É o caso da estudante de biologia Layla Clarellis.
“Por termos muitos idosos na família e uma quantidade numerosa de parentes no interior, minha vó teve a ideia de cada um comemorar em sua própria casa e fazermos todos uma chamada de vídeo. Dessa forma passaríamos o Natal ‘juntos’ e seguros”, ressalta.
Embora a participação de produtos estrangeiros na ceia de Natal deste ano seja menor em relação ao ano passado, a importação de itens usados no período natalino feita por empresas alagoanas este ano chegou a registrar aumento de até 191%, como é o caso de queijos e coalhadas.
De acordo com os dados da Secretária do Comércio Exterior do Ministério da Fazenda, de janeiro a novembro deste ano, esses dois produtos movimentaram US$ 2,26 milhões. Já a importação de pescado seco, salgado - como o bacalhau - movimentou US$ 4,36 milhões no período, um aumento de 85,8%. Entre os itens da ceia natalina, apenas bebidas alcoólicas registrou uma retração de 1,2% este ano, ante 2019. Mesmo assim, as empresas alagoanas desembolsaram US$ 2,95 milhões.
Mesmo com a substituição de produtos importados por nacionais e redução de famílias na ceia natalina devido à pandemia, a a CNC estima que as vendas de Natal devem crescer 3% este ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
* Sob supervisão da editoria de Economia.