Pesquisa
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS TEM O MENOR NÍVEL EM DOZE MESES
Indicador recua onze pontos em novembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado
O consumo das famílias maceioenses alcançou o menor nível dos últimos doze meses. Em um índice que varia de 0 a 200, onde 100 demarca a fronteira entre a avaliação de insatisfação e de satisfação do consumidor, o Índice de Consumo das Famílias (ICF) chegou a 90,7 em novembro. Na comparação com outubro o ICF caiu 0,9 ponto, mas na comparação com novembro passado a queda é de 11,7 pontos. Os dados constam em pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio-AL e foram divulgados na última terça-feira (22).
A pesquisa mostra que o ICF recuou pela décima vez seguida este ano. De acordo com o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha, como os dados de endividamento e inadimplência na capital também apresentam queda há alguns meses, isso pode significar que os consumidores da capital estão reduzindo seu consumo e tentando quitar suas dívidas antes de retomarem as compras para o mês de dezembro, segundo explica Felippe Rocha,
De acordo com a pesquisa, os cidadãos da capital não confiam que ocorra melhora em sua perspectiva profissional no horizonte até o final do ano, o que fez com que este subindicador recuasse 2,4%, em novembro; queda menor do que a registrada em outubro (5,4%). “Como ainda vivenciamos os efeitos da pandemia, a confiança em manter o emprego é alta, mas como os empresários tiveram muitos prejuízos, dificilmente os colaboradores vão receber melhoria em seus rendimentos”, estima Felippe.
A percepção de que a renda atual é superior ao mesmo período do ano passando permanece em alta, crescendo 1,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, mesmo que a inflação de novembro tenha sido a mais alta para os últimos cinco anos (0,89%) e que a inflação da cesta básica tenha ultrapassado os 20% este ano. A situação é explicada pela ilusão monetária em decorrência do recebimento do auxílio emergencial e do saque emergencial do FGTS, além dos empréstimos que as micro e pequenas empresas obtiveram ao longo do ano; fatores que ajudam na circulação mais rápida de moeda e trazem uma falsa percepção de riqueza, que é temporária.
Embora novembro tenha sido marcado pela Black Friday, as compras a prazo cresceram apenas 0,8% e o nível de consumo atual, comparado ao mesmo período do ano passado, cresceu apenas 0,3%, enquanto as perspectivas de consumo caíram 8%. E como os consumidores compreendem que dezembro será o último mês de auxílio emergencial, não vendo possibilidade de renda adicional no futuro, a aquisição de duráveis caiu 3,5%.
Em nível de vendas, de janeiro a outubro, Alagoas teve queda acumulada de 4,1%, quando comparado ao mesmo período do ano passado, conforme dados da pesquisa mensal do Comércio do IBGE. Mas o estado vem apresentando recuperação, tendo o volume de vendas crescido 1,4% entre outubro e setembro; um aumento de 7% comparado ao mesmo período de 2019.
Os dados da pesquisa de consumo das famílias apontam que o indicador sobre a manutenção do emprego atual apresentou fortalecimento, com crescimento de 0,3%. “Considerando que no mês anterior [outubro] houve alta de 0,4%, pode-se dizer que os consumidores estão com menos medo de perderem seus postos de trabalho, o que ajuda a reduzir as incertezas e a elevar os níveis de consumo no futuro próximo, já que a recuperação do consumo ainda não aconteceu na economia da capital”, afirma o economista.