Economia
Risco-Brasil termina 2003 com queda recorde, aos 468 pontos
São Paulo - O risco-Brasil termômetro da desconfiança estrangeira nos títulos da dívida do país, fechou o primeiro ano do governo Lula com uma queda percentual recorde. No ano, o indicador acumula baixa de quase 68%. No final de 2002, estava em 1.446 pontos. Nesta terça-feira, caiu 3,10%, aos 468 pontos, menor nível desde maio de 98. Esse indicador, calculado pelo banco americano JPMorgan, reflete a percepção de segurança que os investidores estrangeiros têm em relação à capacidade de um país de pagar sua dívida externa. Quanto menor o risco, menor o receio de um calote. No ano passado, com a tensão eleitoral, o risco brasileiro subiu 67,5%, atingindo o maior patamar da história -2.436 pontos, em setembro. Ou seja, em 2003, o indicador corrigiu a alta exagerada acumulada no ano passado. ?Em 2004, o Brasil terá de fazer o dever de casa para derrubar o risco para 300 pontos. A economia terá de crescer de forma consistente. O país terá de atrair investimentos e exportar ainda mais. O governo precisa reduzir sua dívida e reforçar as reservas internacionais?, diz o analista da corretora Liquidez, Francisco Carvalho. O Embi+, que mede a média da variação do risco-país dos emergentes, acumulou baixa de 45% neste ano, aos 425 pontos. Mesmo em queda, o risco brasileiro é o dobro do mexicano, que recuou 32%. Também registraram baixa no ano os riscos da Turquia (55%), Peru (48%), Venezuela (47%) e Argentina (12%), que lidera o ranking com 5.600 pontos. C-Bond Para medir o risco, o JPMorgan calcula o retorno médio de cada título da dívida do país. Neste ano, o principal papel do Brasil, o C-Bond, se recuperou da forte desvalorização no ano passado. Nesta terça-feira, encerrou cotado a 98% do valor de face, acumulando alta de 47,6% no ano. O papel chegou a atingir neste mês cotação recorde ao ser negociado acima de 98,375% do seu valor de face.