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RETOMADA DE EMPREGO PRIORIZA CONTRATAÇÃO DE HOMENS, DIZ CAGED

De março a novembro do ano passado, foram fechados 220,4 mil postos de trabalho formais para mulheres em todo o Brasil

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Dados mostram que há menos profissionais do sexo feminino com carteira assinada
Dados mostram que há menos profissionais do sexo feminino com carteira assinada | Foto: JOSÉ FEITOSA

São Paulo, SP – Após o forte tombo no início da pandemia, o mercado de trabalho formal reagiu no segundo semestre de 2020, mas em ritmo diferente para homens e para mulheres. As recentes contratações de profissionais do sexo masculino para vagas com carteira assinada sobem mais do que para trabalhadoras. As mulheres, que já eram minoria entre empregados formais, perderam ainda mais espaço desde março, quando a crise do coronavírus começou a afetar a economia nacional. Março, abril e maio foram marcados por um amplo movimento de demissões, em diversos setores de atividade econômica. Apesar da crise, o mercado de trabalho para homens, considerando todos os setores, já se recuperou. Foram geradas 107,5 mil vagas com carteira assinada para trabalhadores do sexo masculino –resultado entre contratações e demissões de março (início da pandemia) a novembro. Isso quer dizer que há mais homens trabalhando com carteira assinada do que antes da crise da Covid-19. Para as mulheres, o saldo é negativo. De março a novembro, foram fechados 220,4 mil postos de trabalho formais. Ou seja, há menos profissionais do sexo feminino com carteira assinada. Com isso, o Brasil registra um saldo negativo de 112,9 mil empregos na pandemia – resultado puxado pelas demissões de mulheres. "Tem muita vaga [de emprego aberta] na verdade. Já mandei meu currículo para muitos lugares, mas não estão me chamando [para trabalhar] mesmo", diz Hellen Danielle Freitas, 20, que trabalhava em uma padaria na área nobre de Brasília. Demitida em julho, ela passou a ajudar a família vendendo roupas como ambulante na estação rodoviária da cidade, mas não parou de procurar trabalho formal. "Carteira assinada é melhor, ter um dinheiro [fixo] todo mês". Hellen faz parte da lista de mulheres que ainda não conseguiram se recolocar no mercado formal. O Brasil fechou 1,6 milhão de postos de trabalho nos primeiros meses da pandemia. O efeito foi mais danoso para as trabalhadoras. Em fevereiro, as mulheres representavam 40,75% dos contratos com carteira assinada e os homens, 59,25%. Mas, na conta das demissões, a proporção não foi seguida: elas foram 47% dos desligados na pandemia, enquanto eles somaram 53%. Os dados detalhados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), obtidos pela reportagem. Segundo o governo, a diferença no efeito da crise dependendo do gênero está relacionada a características da crise. "Os setores com maior participação de mulheres [como comércio e serviços] foram mais afetados pelo fechamento de postos, em decorrência das medidas de distanciamento social para a prevenção de contágio", ressalta nota técnica do Ministério da Economia. Por outro lado, homens são maioria no mercado formal da construção e agropecuária, que se mantiveram quase estáveis diante da crise. Na indústria, outro setor que eles lideram, houve um tombo, mas a recuperação foi rápida. Com as mudanças provocadas pela pandemia, as mulheres perderam representação no mercado formal de trabalho, caindo de 40,75% em fevereiro para 40,31% em novembro. Esse dado costumava sofrer pouca variação, por ser um retrato estrutural.

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