Análise
PAÍS EM PIOR SITUAÇÃO PARA ROLAR DÍVIDA
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São Paulo, DF – O Brasil começou 2021 com a maior necessidade de refinanciamento de sua dívida pública entre todos os países emergentes. Com prazo bastante encurtado em 2020, a dívida a ser rolada neste ano por meio da emissão de novos papéis corresponde a 18,5% do PIB, o maior nível da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005.
O valor equivale a cerca de R$ 1,4 trilhão, que precisará ser levantado com a venda de papéis no mercado.
Segundo novo relatório do IIF (Institute of International Finance), que reúne 450 bancos e instituições financeiras em 40 países, a situação brasileira, na comparação com os demais emergentes, é desafiadora. "No geral, vemos o maior risco de refinanciamento no Brasil", diz o relatório do IIF, para quem o país "merece atenção".
O órgão considera uma "combinação arriscada" o cenário difícil que o Brasil enfrenta para cortar gastos (e limitar o aumento do endividamento) e o volume recorde de vencimentos da dívida neste ano.
"A situação fiscal exige muita emissão de dívida devido ao encurtamento dos prazos e às altas amortizações, principalmente por volta de abril", diz Martín Castellano, chefe do Departamento de Pesquisas do IIF para a América Latina.
"O risco é o país enfrentar um ajuste em condições de mercado potencialmente mais difíceis no futuro."
Em análises recorrentes, o IIF sugere que pouquíssimos países conseguem reduzir drasticamente gastos após um aumento significativo. O órgão também considera difícil o Brasil não ver-se obrigado, em razão do recrudescimento da pandemia, a voltar a se endividar mais a fim de retomar algum tipo de auxílio emergencial aos mais pobres.
"O cumprimento da regra fiscal [o teto de gastos, que limita o aumento da despesa à inflação dos 12 meses anteriores] exige a reversão dos gastos emergenciais, algo que não temos certeza de que seja viável", afirma o IIF.