Levantamento
DE CADA 10 EMPRESAS ABERTAS EM ALAGOAS EM 2020, OITO FORAM MEIs
No ano passado, foram instituídos 29,2 mil negócios no Estado, um crescimento de 9,2% ante 2019
Em um ano marcado pela pandemia da Covid-19, o número de empresas abertas em Alagoas atingiu 29.297 unidades em 2020, um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (4), pela Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal). Desse total, 23.467 - o equivalente a 80,1% - eram de microempreendedores individuais (MEIs), o que significa que a cada 10 empresas abertas em Alagoas no ano passado, oito eram constituídas por esse segmento empresarial.
O levantamento mostra ainda que o número de microempresas abertas no Estado vem em segundo lugar do ranking, com 4.190 unidades. Em seguida aparecem as empresas de pequeno porte (997) e negócios considerados sem porte (643).
O presidente da Juceal, Carlos Araújo, reconhece que o avanço de MEIs em 2020 pode estar ligado ao momento de pandemia no Estado, que "forçou" os alagoanos a buscarem geração de renda por meio de empreendedorismo.
Segundo os dados da Juceal, o comércio aparece como o setor que mais constituiu empresas no ano passado, com 11.606 unidades. Em seguida aparecem alimentação (3.870), indústrias de transformação (2.465), outras atividades de serviço (1.958), e construção (1.888).
Em todo o País, foram abertas 3,3 milhões de empresas em 2020, um aumento de 6% em relação a 2019. Assim como em Alagoas, os números nacionais mostram o avanço durante a pandemia dos microempreendedores individuais, que responderam por 79,3% dos novos CNPJs. Os MEIs representaram 56,7% das 19,9 milhões de empresas ativas no Brasil ao fim de 2020 (o número considera CNPJs ativos, não considerando se estão com atividades em funcionamento ou não).
O Ministério da Economia interpreta que o crescimento dos microempreendedores decorre de fatores como uma busca por medidas emergenciais do governo (como as de crédito a empresas) e a demanda observada a partir da mudança de comportamento de consumo da população.
Gleisson Rubin, secretário-adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, afirma que há evidências de mudanças no padrão de consumo influenciando a abertura de empresas, principalmente na prestação de serviços e comércio na forma de delivery (como entrega de alimentos).
O comércio digital mostrou crescimento em todo o mundo após a pandemia e as medidas de distanciamento. No Brasil, estimativas do Ministério da Economia apontam que a modalidade tenha avançado mais de 40% no ano passado.
Os dados mostram que o número de empresas abertas em 2020 foi puxado por comércio varejista de vestuário e acessórios; promoção de vendas; cabeleireiros, manicure e pedicure; e fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar.
O governo avalia que a abertura de empresas mesmo em um momento de crise ocorreu graças a medidas que facilitaram o ambiente de negócios, como a expansão de atividades que dispensam alvará ou licença para funcionamento.
Entre os setores que tiveram flexibilização estão o fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar, além de restaurantes e similares. As medidas foram adotadas após a aprovação da Lei da Liberdade Econômica, que flexibilizou regras para empresas.
O Ministério também vê redução na burocracia para abrir empresas. O tempo para abertura de CNPJs no Brasil foi ao fim de dezembro, em média, um recorde de 2 dias e 13 horas. Houve redução de 11,6% em relação a quatro meses antes e 43% em relação ao fim de 2019.
As medidas que reduziram a burocracia incluíram a simplificação do registro de empresários individuais após a Lei da Liberdade Econômica, como a implantação do registro automático do CNPJ nas Juntas Comerciais após o pedido.
Também ajudou a impulsionar parte dos números de MEIs a influência do auxílio emergencial, pago mensalmente a microempreendedores. “É claro que existe [influência do auxílio emergencial]. Fizemos uma análise de buscas por auxílio emergencial e MEI no Google, e teve um pico quando foi anunciado o auxílio. [Mas] o número de crescimento de MEI não destoa de anos anteriores. Contribuiu, mas não é a única razão que respondeu [pelo avanço]", disse Antônia Tallarida, subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresa.
* Com informações da Folhapress