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ALTA NO PREÇO DA CARNE FAZ ALAGOANOS OPTAREM POR FRANGO

Redução no consumo da proteína bovina é sentida também na queda de abates de animal no estado

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A carne de frango passou a “estrela” nos açougues devido ao preço da carne bovina
A carne de frango passou a “estrela” nos açougues devido ao preço da carne bovina -

Na casa de Valdenice Mata, o churrasco semanal passou a ser feito somente em datas comemorativas. Na da cunhada dela, Quitéria Silva, a “mistura” com carne de boi é para o almoço de domingo. O cenário posto na mesa destas alagoanas é um reflexo da alta da carne bovina e da recessão econômica que assola o Brasil e tem deixado marcas nos mais variados âmbitos da vida dos cidadãos. Nem mesmo o prato do brasileiro escapou do arrocho. Os relatos das donas de casa que abrem essa matéria são alguns em meio a tantos espalhados em Alagoas. Com o preço da carne bovina “nas alturas”, como elas mesmas definem, o alimento virou item especial, servido apenas em ocasiões específicas. Com isso, a busca por substitutos alavancou a venda de itens como frango e ovos. Nos supermercados, o açougue está um ambiente pouco movimentado, contrastando com os outros corredores dos estabelecimentos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o abate de bovinos recuou 7,3% em Alagoas no terceiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019. Os números mostram que foram abatidos 26.712 cabeças de gado entre julho e setembro do ano passado, ante 28.837 no mesmo período de 2019. No primeiro trimestre do ano passado o abate de bovinos em Alagoas chegou ao menor patamar dos últimos quatro anos, foram 25.003 cabeças de gado abatidas. Em contrapartida, também no terceiro trimestre do ano passado, o IBGE apontou que o efetivo de galinhas em Alagoas aumentou 8,9%, saindo de 787 mil no mesmo período de 2019, para 857 mil em 2020. Essa foi a quarta maior alta do Nordeste e a sétima do país. A galinha foi justamente a opção encontrada pelas donas de casa para substituir a carne vermelha. Mais barata, ela virou a “mistura” diária nos lares. Quitéria Silva conta que a ave compensa bastante financeiramente. “Um quilo de carne da mais fraquinha não é menos de R$ 20, aí você vai numa avícola e paga R$ 7 pelo quilo do frango. Pronto, três dias de frango é um de carne”, calcula a dona de casa. Ela diz que faz milagre na cozinha para comer por vários dias a mesma proteína, mas mesmo brincando ela lamenta a situação. “É strogonoff na segunda, panqueca na terça e frito na quarta. Pior é quem nem isso tem, né? Não tá nada fácil, pode ser que daqui há uns tempos nem isso a gente possa comprar mais”, teme Quitéria. O IBGE também atestou que a produção de ovos de galinha cresceu em Alagoas no terceiro trimestre de 2020. O número saltou de 4,9 milhões de dúzias entre julho e setembro de 2019, para 5,8 milhões no mesmo período do ano passado. Ou seja, crescimento de 18,6%. A alta registrada em Alagoas foi a quarta maior do país, menor somente que os percentuais da Bahia (31,7%), Amazonas (29,55) e Mato Grosso do Sul (28%). O crescimento nacional foi de 3,8%. Foram produzidas 12 bilhões de dúzias de ovos no Brasil entre julho e setembro de 2020. A dona de casa Valdenice Mata conta que os ovos são complemento na alimentação, mas lembra de um tempo em que eles não eram tão frequentes na mesa. “Isso varia muito de acordo com a renda da gente, quem ganha um salário mínimo não tem como comer carne todo dia agora, e quando come, é carne de segunda. Aqui mesmo fazemos muita carne moída. Um quilo de um bom corte chega a R$ 40 com facilidade, isso é quase 5% do salário. Então, assim, é ovo nas três refeições. A solução é ‘bife do oião’. Antes dava, mas agora o dinheiro da gente parece que vale menos”, comenta.

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