Economia
T�tulo da d�vida brasileira tem valor recorde
São Paulo - O C-Bond, principal título da dívida pública brasileira, bateu recorde ontem e já supera a cotação de 100% de valor de face. O papel terminou o dia vendido a 100,25% do seu valor - ou seja, com ágio de 0,25%. Em tese, isso significa que quem comprou o papel nesta quinta pagou mais do que vai receber, excluindo o ganho com o juro anual de 8%, se o país decidir tirá-lo de circulação. No auge da crise econômica pré-eleitoral em 2002, o C-Bond chegou a ser negociado a 48,68% do valor de face, menos da metade do que vale hoje. A valorização no preço dos papéis influenciou a taxa de risco-país medida pelo índice Embi+ do banco JP Morgan. O risco brasileiro teve queda de 2,13%, a 412 pontos básicos após ter atingido a mínima de 405 pontos no meio da tarde, o menor patamar desde outubro de 1997. O C-Bond cotado a mais 100% do valor de face possibilita que o governo brasileiro exerça a opção de recompra dos títulos, prevista no contrato de emissão dos papéis. Os C-Bonds foram emitidos em abril de 1994, durante o programa de reestruturação da dívida externa brasileira. Os papéis vencem em 15 de abril de 2014 e a recompra ajudaria a melhorar o perfil de endividamento do país. Se optar pela recompra, o governo terá de avisar o mercado com antecedência - entre 30 e 60 dias antes do resgate-, que deverá ser feito no dia 15 de abril, mesma data em que vence o pagamento de juros. Bolsa e dólar O otimismo influenciou ainda o mercado financeiro local. Animada pelo novo recorde do C-Bond e pela queda do risco Brasil, o principal índice da Bovespa fechou em alta de 1,70%, aos 23.716 pontos, um novo patamar recorde. O volume de negócios voltou a superar R$ 1,6 bilhão, com forte presença de investidores estrangeiros. Na contramão dos mercados, o dólar comercial encerrou a quinta-feira em baixa de 0,13% em relação ao fechamento do dia anterior. A moeda norte-americana foi comprada a R$ 2,854 e vendida a R$ 2,856. O motivo da queda da moeda foi o otimismo com o cenário econômico que, segundo profissionais das mesas de câmbio, continua favorável. Operadores estimaram que a primeira compra do BC no mercado foi pequena, o que evitou pressão sobre o câmbio. Desde terça-feira, quando a autoridade monetária anunciou que compraria dólares para recompor as reservas e suprir o Tesouro, investidores esperavam pela estréia.