Economia
Mais do que praias, turista quer hist�rias
EDIVALDO JUNIOR Aos 46 anos, 19 deles dedicados a hotelaria, 18 morando fora do Brasil, Carlos Baruki esteve essa semana pela primeira vez em Maceió. Ele é diretor da área de vendas e marketing para a América Latina do Intercontinental Hotels Groups ? uma das maiores redes de serviços turísticos do mundo, com mais de 1, 2 mil hotéis entre unidades próprias e franqueadas. No Brasil a rede atua Brasil com cinco ?bandeiras?: Intercontinental, Crowne Plaza, Holiday Inn, Holiday Inn Express e Satybridge. Baruki é natural do Mato Grosso do Sul. Conhece praticamente todo o mundo. Mas nunca tinha vindo ao Nordeste. Seus olhos se voltaram para a região por uma questão estratégica. ?O Nordeste conseguiu se posicionar no mundo ao mesmo tempo como uma região exótica e sem violência. Para o turista estrangeiro é o que há de novo no Brasil. Por isso a região deve continuar crescendo como destino turístico internacional?, aponta o executivo que hoje mora em Miami (EUA) e responde pelo marketing e vendas de 46 hotéis do grupo na América Latina. Um deles é o Holiday Inn Express de Maceió ? na Praia de Cruz das Almas. O que veio fazer aqui? Baruki é direto. ?Meu objetivo é promover os negócios desses hotéis, oferecer destinos. Para fazer preciso conhecer os lugares e traduzir para o estrangeiro o que ele vai encontrar aqui?, resume. ?Hoje o turista mudou. Ele não quer só a praia e o sol. Ele quer levar experiências locais. Quando volta para seu país ele precisa ter histórias para contar. E isso só acontece quando interage com a comunidade, quando conhece um pouco da cultura, da culinária de cada lugar. Então temos de saber que pratos vamos sugerir ou que lugares vamos indicar para visita que proporcionem essas experiências?, completa. E as chances de Alagoas no turismo internacional? Muito boas se o Estado for considerado como parte do bloco ? o Nordeste, avalia Baruki. ?É difícil para o turista estrangeiro diferenciar um Estado do outro. Ele vê a região como um todo. Para as redes de hotéis e operadoras de turismo será mais fácil vender o Nordeste?, explica. Para o executivo, a maior vantagem do Nordeste como destino turístico - além de estar no verão enquanto na Europa e Estados Unidos é inverno e dos seus atrativos naturais - é o fato de poder oferecer vários destinos ao mesmo tempo diferentes próximos um do outro. ?Em poucas horas é possível se deslocar de uma capital a outra. Isso agrada ao turista. Ele sabe que poderá levar na bagagem uma vasta riqueza cultural e muito mais experiência?, afirma o Executivo. Tem futuro Antes de vir para Maceió, Baruki deu uma ?olhada? nos números do turismo local. Ele sabe que o setor vem de uma longa fase de estagnação no Estado. Somente em 2003 dois hotéis encerram a atividade em Maceió. ?No caso do turismo internacional. Eu diria que parte do problema é mundial. Depois do atentando de 11 de setembro o turismo sofreu um refluxo em todo o mundo?, frisa. Para o futuro as expectativas são promissoras tanto para o Nordeste quanto para Alagoas. ?Nosso grupo está investindo na região. Já temos três hotéis no Nordeste e vamos abrir outros dois este ano. O Intercontinental é muito criterioso na avaliação econômica de qualquer novo empreendimento. Não apostamos em destinos da moda. Só decidimos abrir novos hotéis, próprios ou franqueados, o caso de Maceió, quando constatamos que o destino terá um crescimento estável e duradouro?, resume. Pontos fracos A primeira impressão de Maceió foi boa para Baruki. Ele gostou do clima, da praia e se esforçou, durante toda a entrevista para ser ?educado?. Mas o ?executivo? falou mais alto e apontou, em forma de ?conselhos?, os pontos fracos que precisam ser trabalhados para que o Estado consiga avançar no turismo. ?O serviço tem de ser impecável. Da chegada a saída do turista. E não basta apenas que o hotel ou a operadora de turismo esteja preparado. É preciso que toda comunidade saiba trabalhar profissionalmente com o turismo. O taxista, o vendedor de artesanato, o lojista, o garçom, o policial, enfim todas as pessoas que têm contato com o turista precisam ter consciência do papel que exercem para atrair ou afastar turistas?, alerta o executivo. Carlos Baruki explica que é preciso entender como o estrangeiro vê o Brasil e Nordeste para poder crescer no turismo internacional. ?Hoje o turista que vai ao Rio prefere ir numa roda de pagode no morro do que num ensaio ?arrumadinho? de uma escola de samba. Mas ele quer ir lá, ser bem tratado e conseguir entender e ser entendido. Por isso a comunidade local precisa estar preparada para interagir com o turista?, aponta. Na bagagem Belas praias e bons serviços não bastam. Para crescer no turismo a partir de agora é preciso ir além, avisa Carlos Baruki. ?As pessoas não compram mais destinos, nem descanso. O que o turista estrangeiro quer levar na bagagem muito mais do que uma simples lembrança comprada na feira de artesanato; querem levar histórias para contar para as famílias e para os amigos?, resume. Hoje, acredita Baruki, são as experiências diferentes, os choques de cultura, que mais atraem os turistas estrangeiros. ?Ele quer chegar de volta a sua casa, reunir os amigos e contar o que viu, os pratos que comeu, mostrar as fotos, falar das músicas que ouviu e das pessoas que conheceu. Ele precisa de boas experiências para contar boas histórias e dizer para os amigos que fez uma boa compra?, avalia. São as histórias e experiências que Alagoas pode oferecer aos turistas estrangeiros que o executivo do Intercontinental Hotels Groups veio conhecer. ?Minha missão é descobrir qual o prato, qual o lugar diferente que podemos oferecer ao turista estrangeiro aqui em Alagoas. Hoje só a praia não é suficiente para vender o destino. O turista quer saber mais. Ele quer informação sobre as pessoas, a cultura e a história do lugar?, diz. ?Quando um chega a um restaurante típico, ele não quer apenas comer um prato. Ele quer também saber a origem daquele prato, do que ele é feito, se quem comia no passado eram senhores de engenhos ou escravos. E o restaurante tem que estar preparado para isso. Hoje é preciso que o serviço vá além da simples cordialidade. Para atender bem o turista é preciso saber interagir com ele?, completa.