Economia
Taxa de inc�ndio: inadimpl�ncia chega a 80%
FERNANDA MEDEIROS O índice de inadimplência da Taxa de Incêndio, aquela que vem junto com o carnê de pagamento do Imposto Predial e Territorial (IPTU), chega a atingir de 60% a 80% em Maceió, segundo dados do comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CB/AL), coronel Paulo César Sales. Ele faz, inclusive, um apelo à população, para que não ignore essa taxa, considerada de grande importância para o órgão. ?Queremos pedir à população para efetuar o pagamento dessa taxa, pois muita gente acha que não é importante?, disse o comandante. Ele explica que o CB não tem em seu orçamento investimento de capital, somente verbas de custeio. ?O governo do Estado, ano passado, autorizou a compra de cinco unidades de resgate, mas não pudemos adquiri-las porque faltavam esses recursos no Orçamento. Os técnicos da Secretaria Executiva de Planejamento justificam que não destinam esses recursos para o CB porque, segundo ele, já existe a taxa de incêndio?. Ele lembrou que no total, o CB possui oito unidades de resgate, sendo três utilizadas no interior do Estado e cinco na capital. ?Infelizmente, apenas duas estão em funcionamento em Maceió. As outras três estão paradas, por problemas mecânicos. Uma está com defeito na caixa de marcha, outra está com problema no diferencial e a terceira foi tombada?, informou o coronel Paulo César Sales, acrescentando que as do Interior atuam em Arapiraca, Santana do Ipanema e Maragogi e estão funcionando normalmente. A vida útil das viaturas de resgate existentes no Corpo de Bombeiros, atualmente, já se extinguiu, segundo revelou o comandante. Elas foram compradas em 1998, já fazem mais de cinco anos de uso. ?Se elas pudessem falar diriam: ?já rodamos muito, não agüentamos mais?. E, na verdade, é muito tempo de uso?, avaliou, acrescentando que o conserto mínimo de uma dessas viaturas chega a custar R$ 5 mil. ?Muitas peças não existem no comércio de Maceió e, às vezes, temos que mandar buscar no Recife ou mesmo em São Paulo?. Arrecadação Paulo César Sales explicou que o valor arrecadado com a taxa de incêndio, anualmente, chega a R$ 350 mil. É um pouco mais do valor de um caminhão de incêndio, que custa entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. ?Para comprarmos um veículo desse teríamos que esperar o apurado de um ano. Já uma unidade de resgate custa entre R$ 160 mil a R$ 170 mil. Com o dinheiro arrecadado, anualmente, daria para comprarmos duas unidades de resgate e mesmo assim os recursos não seriam suficientes, já que precisamos de verbas para a aquisição de outros equipamentos?,afirmou, acrescentando que este ano, o investimento do CB foi para Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como compressores, cilindros, uniformes, capacetes, material de salvamento terrestre e aquático, entre outros materiais que já não tinham mais no órgão. ?Tivemos que fazer essa escolha: comprar o veículo ou diluir os recursos em equipamentos de porte menor, mas em maior quantidade. Optamos pela segunda alternativa?, disse. Apesar dos problemas, o comandante Paulo César tranqüilizou a população, com relação ao atendimento prestado pelas unidades de resgate: ?A comunidade não deixará de ser atendida. Estamos trabalhando em conjunto com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Secretaria Executiva de Saúde. Quando recebemos um chamado e as nossas viaturas estão ocupadas, acionamos as unidades da Sesau, assim como eles também usam os nossos veículos. Sabemos que a situação poderia ser melhor, pois quanto mais viaturas, menor é o tempo de resposta ao chamado, ou seja, mais rápido a viatura chega ao local de atendimento?. Mas nem tudo está perdido. Segundo ele informou, no fim do ano passado, numa reunião com o governo do Estado, o governador Ronaldo Lessa prometeu que na aprovação do Orçamento deste ano, irá remanejar crédito suplementar para o CB. ?Com esses recursos, vamos comprar as cinco viaturas e reformar as antigas, colocando-as para trabalhar em locais com poucas ocorrências?. Chamadas De acordo com o comandante, o CB recebe, por dia, em Maceió, cerca de 150 chamados. São chamados para resgatar pessoas vítimas de acidentes de trânsito, resgate e busca de animais, salvamentos aquáticos, lavagem de pista (quando um veículo derruba combustível ? óleo diesel ou gasolina - no asfalto), além de fiscalização em lojas e empresas, acerca de segurança contra incêndio, vendas de gás de cozinha, explosões, entre outros. ?Por isso, precisamos ter nossos equipamentos renovados e uma quantidade de viaturas que atendam a todas essas ocorrências?, finalizou.