Economia
Postos restringem recebimentos de cheques
O comércio varejista de combustíveis e os supermercados, especialmente os de médio e pequeno porte, são os mais atingidos pela emissão de cheques devolvidos por falta de fundos. Tanto que o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis (Sindcombustíveis), Mário Jorge Uchôa, chega a afirmar que, no setor que representa, o índice de devolução beira a 25% do total de cheques emitidos. O resultado é que a maioria dos donos de postos está se recusando a aceitar cheques como pagamento, especialmente na compra pré-datada. Tem sido cada vez mais comum encontrar postos onde estão afixadas faixas alertando o consumidor de que o pagamento não poderá ser feito com cheque. Restrição Dos 140 postos de Maceió menos de 30 aceitam cheques. Os comerciantes recusam o pagamento como forma de fugir do calote, mesmo sabendo que a medida prejudica os bons pagadores, além de ser proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Para o empresário Mário Jorge Uchôa o desgaste do cheque como instrumento de estímulo ao consumo é provocado pela falta de ação dos bancos, que não adotam medidas restritivas para barrar a ação dos caloteiros. Medidas ?Os bancos devem cancelar a conta dos maus clientes, aqueles que têm cheques devolvidos duas ou três vezes?, sugere o dirigente do Sindcombustíveis. Além de encerrar a conta dos emitentes de cheques sem fundo, os bancos devem criar um sistema de cadastro que impeça a abertura de novas contas em outras instituições. A saída para os donos de postos é optar pelo cartão de crédito, mesmo admitindo que essa modalidade restringe o público consumidor e é mais onerosa. ?Temos que pagar 3,5% para o credenciamento e 4,5% para antecipar o pagamento?, afirma Mário Jorge. Mesmo assim, o cartão de crédito tem sido a solução para evitar o calote do cheque ?borrachudo?, declarou o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis,Mário Jorge Uchôa.