Economia
Brasil crescer� 3,5% e ter� infla��o de 5% em 2004
EDIVALDO JUNIOR Café, leite, sucos de frutas, frutas, bolos, pães, torradas, queijos e geléias. O café da manhã de lançamento do Liquida Maceió, servido ontem no Famiglia Giuliano, um dos mais requintados restaurantes de Maceió, foi marcado pela fartura. Principalmente de otimismo. O evento foi marcado literalmente pelas boas expectativas. Numa platéia que tinha desde pequenos lojistas até o governador em exercício, Luis Abílio, a estrela do dia foi o jornalista econômico Paulo Henrique Amorim. Sua missão: traçar um cenário da economia para 2004. Apresentado pelo diretor da Chama Publicidade, Aloísio Alves, como ?um mago? da economia ? ?no ano passado ele esteve aqui e acertou 90% das previsões?, disse o publicitário ? Paulo Henrique fez uma palestra rápida, recheada de otimismo e bom humor. ?Para não correr o risco de errar, desta vez vou usar as previstões de um amigo meu, um executivo do City Bank, o Carlos Caval?, afirmou. O cenário que jornalista traçou para a economia nacional é animador. Crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto, dólar no fim de 2004 girando entre R$ 3,10 e R$ 3,20, juros nominais de 12% no fim do ano e uma inflação na casa dos 5%. Em resumo, esses foram os números do City Bank corroborados por Amorim e lastreados na política ?do governo trabalhista que tem como grande novidade o fato de não ter nenhuma novidade?, ou seja, ?o governo Lula repete uma política econômica de inflação controlada e superávit fiscal para pagar a dívida, mesmo modelo adotado hoje em pelo menos 100 países?, disse. O otimismo, apontou Amorim, pode ser ainda maior. E quem determina isso é o brasileiro. ?Como diz o Delfim Neto, somos nós brasileiros que vamos determinar o crescimento que queremos. Podemos pensar em 4% e até 5% do PIB?, frisou. Em nível interno, o ?milagre? econômico será fruto não só do desempenho do governo, mas também dos relutados das exportações, que ?vai crescer 20%, de US$ 60 bilhões para US$ 72 bilhões?, e do ?agribusiness que vem crescendo numa média anual de 5% ao ano e deve fechar 2004 com uma safra recorde de 130 milhões de toneladas de grãos?, analisou o jornalista. Mas os bons resultados internos vão depender não só dos ajustes do governo Lula, da agricultura e exportações. Dependerão da manutenção do cenário internacional. Especialmente da continuidade do crescimento da economia norte-americana (o PIB evoluiu 4% em 2003), da China (hoje terceiro maior parceiro econômico do Brasil) e da Argentina (as exportações brasileiras aumentaram 90% para aquele País em 2003). ?O Brasil tem sido cada vez mais agressivo nas exportações. Ainda assim ainda há muito espaço para crescer. No ano passado, exportamos apenas 1% de tudo que a China importou. Os chineses estão vivendo um período de transição. A cada dia milhões de pessoas são incorporadas ao mercado de consumo. Temos, então, muito para crescer?, apontou. Novos consumidores Especificamente para a platéia, a maioria de lojistas, o jornalista fez um discurso ainda otimista. Ele aposta no surgimento de novos consumidores, os ?emergentes? das classes C, D e E. ?O governo trabalhista deve aumentar a distribuição de renda. As classes emergentes têm aumentado os níveis de consumo em patamares bem maiores do que as classes A e B nos últimos anos. E é provável que esse crescimento diferenciado se acentue nos próximos anos como reflexo da política de distribuição de renda de Lula?, analisou. Hoje, as classes C, D e E, segundo Paulo Henrique Amorim, gastam metade do que ganham com comida. ?Com o aumento da renda, teremos milhões de novos consumidores ávidos por comprar não só alimentos, mas bens de consumo duráveis ou não?, afirmou. Pelo segundo ano, Paulo Henrique Amorim veio a Maceió fazer o lançamento do Liquida Maceió. O evento é uma megapromoção que deve envolver, este ano, 2,3 mil participantes ? de lojistas a tapioqueiras; de taxistas a hotéis e restaurantes; de jornais e TVs a shoppings e hipermercados. Serão 12 dias de promoção envolvendo empresários de diversos segmentos ? a maioria do comércio ? em todos os bairros da cidade. A data do evento está confirmada. O Liquida Maceió 2004 será realizado entre os dias 8 e 20 de março e a expectativa é que se consolide ? como anunciou o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Maceió, Wilson Barreto, como a segunda data mais importante do comércio na cidade. ?Vamos incluir a data no calendário oficial de Maceió e consolidá-la, definitivamente, como a segunda mais importante, embora, é bom que se destaque, o evento se realize num período que tradicionalmente era de poucos negócios para o setor?, afirmou. O governador em exercício, Luis Abílio, presente ao café da manhã, disse que o Liquida elogiou a iniciativa da CDL e confirmou o apoio do governo a promoção - com divulgação e parcelamento do ICMS das empresas participantes. ?O Liquida Maceió se constitui em um acontecimento da maior importância social, porque é mais renda, é mais dinheiro circulando?, destacou Luis Abílio. Além do governo de Alagoas, o Liquida Maceió tem apoio da prefeitura municipal e Caixa Econômica Federal. O presidente da CDL de Maceió destacou o sucesso obtido na primeira edição do Liquida Maceió - satisfação de 87,05% e um aumento de 24% nas vendas. ?Esse ano, a promoção deve trazer um resultado ainda maior?, disse Barreto.