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Copom decepciona ao manter juros em 16,5%

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Brasília - O Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) decepcionou empresários, sindicalistas e até membros do próprio mercado financeiro ao decidir ontem manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 16,5% ao ano. A maioria dos analistas de mercado esperava, segundo pesquisa divulgada pelo próprio BC, que os juros sofressem um corte de 0,5 ponto percentual, para 16%. No entanto, o BC decidiu, após reduzir os juros em 10 pontos percentuais entre junho e dezembro do ano passado, esperar mais tempo para verificar melhor o impacto desses cortes na economia. ?Diante das incertezas associadas ao mecanismo de transmissão da política monetária e considerando que os efeitos do corte de 10 pontos percentuais na taxa Selic nos últimos meses ainda não se refletiram integralmente na economia, o Copom resolveu interromper temporariamente o processo de flexibilização da política monetária com o intuito de preservar as conquistas recentes no combate à inflação e no processo de retomada da atividade econômica. Assim, o Copom decidiu, por oito votos a um, manter a taxa Selic em 16,5% ao ano, sem viés?, disse o comitê na nota divulgada no início da noite de ontem. O BC já havia avisado, na ata da última reunião do Copom, que vinha percebendo sinais de crescimento em diversos setores da indústria e também do consumo e dos investimentos. Também falou na época que a queda dos juros seria conduzida de forma ?parcimoniosa? (modesta, não-abundante). O IPCA (principal índice de inflação do país) subiu de 0,34% em novembro para 0,52% em dezembro. A expectativa é de que em janeiro ocorra nova alta, para 0,65%. Como ainda não há consenso se esse avanço da inflação seria apenas um soluço, o BC decidiu esperar para baixar mais os juros. A decisão, no entanto, deve ser bastante criticada por empresários, sindicalistas e até mesmo por investidores. O principal argumento é de que o emprego e a renda tiveram forte queda no ano passado, o que ainda mantém a demanda baixa e reduz a possibilidade de retorno da inflação. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) criticou o Copom. ?Foi uma decisão equivocada. O Copom deveria ter seguido o comportamento de corte gradual de juros. Por menor que fosse a redução?, disse o presidente da CUT-SP, Edílson de Paula Oliveira. Segundo ele, a manutenção da taxa de juros prejudica a recuperação do emprego, que atingiu níveis recordes em 2003. A decisão do Copom foi criticada pela Força Sindical e Feração do Comércio de São Paulo.

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