Economia
Parmalat pede concordata e anima produtores de Alagoas
EDIVALDO JUNIOR O pedido de concordata preventiva, feito ontem, em São Paulo, pela Parmalat, animou os fornecedores de leite da empresa em Alagoas. Isso porque a concordata é um instrumento jurídico utilizado para evitar a decretação da falência das empresas e pode dar a devedora um prazo de até dois anos para pagar todos os seus credores. ?A expectativa é boa?, reagiu Paulo Amaral, proprietário da Fazenda São Luiz, em Monteirópolis, maior fornecedor de leite da empresa no Nordeste. Atualmente, a Parmalat faz a captação de cerca de 50 mil litros de leite/dia de 47 produtores em Alagoas. A matéria-prima é beneficiada numa indústria da multinacional em Garanhuns-Pernambuco. O leite é coletado diretamente nas fazendas, no sistema granelizado (o leite é transferido de resfriadores nas fazendas para um caminhão com tanque refrigerado). Segundo Paulo Amaral, a empresa está em dia com a maioria dos fornecedores alagoanos. ?Alguns não receberam porque o dinheiro ficou bloqueado no Banco do Brasil. Mas a promessa é de que tudo será regularizado até o dia 30 desse mês?, afirmou, acrescentando que os fornecedores de leite da Parmalat recebem por quinzena. O pedido de concordata, segundo Amaral, é animador porque evita a falência da Parmalat. ?Se ela fechar, o prejuízo é grande, principalmente se deixar de pagar a gente?, resumiu. O pedido Numa tentativa de ganhar fôlego para pagar em dia seus credores, a Parmalat Brasil protocolou, ontem, um pedido de concordata preventiva na 29ª Vara Cível da Justiça de São Paulo. A empresa informou que o objetivo da concordata é ?assegurar a sobrevivência e a continuidade da implementação do programa de reestruturação? da Parmalat no país. ?A decisão, embora difícil, tornou-se inevitável?, disse o presidente da Parmalat, Ricardo Gonçalves. Caso o pedido seja concedido, a Parmalat poderá ganhar tempo para pagar suas dívidas. Pelo menos cinco credores ? Orlândia, Italplast, Moinho Pacífico, Tesla e Banco Fibra ? pediram a falência da companhia na Justiça. Também há mais de 90 títulos protestados contra a empresa. Na Itália, a multinacional entrou em concordata e está sob suspeita de fraude. Nesta semana, uma auditoria da PricewaterhouseCoopers apurou que a dívida líquida da Parmalat é de 14,3 bilhões de euros, ou seja, oito vezes maior do que o valor conhecido.