Economia
Mercado vive dia tenso e bolsa despenca 6,14%
São Paulo ? O mercado financeiro brasileiro teve ontem o seu pior dia desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O nervosismo foi atribuído ao tom pessimista da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) em relação à trajetória da inflação e ao obscuro comunicado do Federal Reserve para justificar, no dia anterior, a manutenção dos juros em 1% nos EUA. Com a tensão no mercado financeiro, o dólar fechou em alta de mais de 1%, a Bovespa despencou mais de 6% e o risco-Brasil disparou 15,15%, atingindo o pior nível do ano até aqui. O que foi visto por alguns analistas como ?excesso? de cautela do BC sobre a inflação corre o risco agora de desencadear um ?efeito dominó? no mercado financeiro nacional. A deterioração do humor do mercado foi tão grave que já ameaça os ganhos obtidos nos últimos meses com ações e títulos da dívida. De acordo com especialistas, a ata do Copom usou ?palavras extremamente negativas? para justificar sua decisão de manter o juro básico da economia em 16,5%. Queda de 6,14% O resultado foi uma queda de 6,14% ontem no índice da Bolsa de Valores de São Paulo - o pior desde 22 de julho de 2002. O Ibovespa que vinha tendo em dezembro e nos últimos dias fechou aos 22.386 pontos. No mercado internacional de bônus, os papéis da dívida brasileira tiveram forte queda, assim como dos principais países emergentes. O risco-país brasileiro chegou a disparar 18%, mas no final do dia tinha alta de 7,25%, marcando 473 pontos básicos, o maior do ano. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, reduzia a queda para 1,74%, cotado a 98,5% do seu valor de face. O dólar, pressionado também por outros fatores, fechou em alta pelo quinto dia consecutivo. A moeda americana subiu 1,2% e atingiu R$ 2,931 na venda, maior cotação desde 18 de dezembro do ano passado (R$ 2,933). O Copom informou ontem, na ata, que decidiu interromper, ?de forma temporária?, a trajetória de queda da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, porque temia que a inflação voltasse a crescer de maneira persistente - o que poderia levar inclusive a aumentos de juros daqui a alguns meses. Também teve forte efeito negativo nos mercados o comunicado do Federal Reserve, que sinalizou que o juro norte-americano poderá ser elevado. Uma alteração nos juros dos EUA mexeria com o fluxo do dinheiro no mundo e enxugaria boa parte da liquidez, especialmente dos países emergentes que apresentam maiores riscos.