Economia
Sem subs�dio, a produ��o de cana deve encolher no Nordeste, alertam produtores
EDIVALDO JUNIOR O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, retornou, ontem, de Brasília, assustado. Ele passou a semana negociando com parlamentares e diretores do Ministério da Agricultura saídas para a retomada do programa de equalização de custos da cana-de-açúcar, conhecido como subsídio. Mas o máximo que conseguiu trazer de lá foi a promessa de que governo deve apresentar uma proposta de socorro aos produtores de cana do Nordeste até meados de fevereiro. ?Sem equalização, a quebradeira será geral. Os fornecedores de cana não terão recursos sequer para pagar os trabalhadores rurais, quanto mais para fazer os tratos culturais da lavoura?, advertiu. De acordo com dados da Asplana, o preço da tonelada de cana caiu cerca de 30% em janeiro deste ano, se comparado com igual período do ano anterior. ?Hoje, o que recebemos não cobre sequer os custos de produção?, disse, acrescentando que ?na safra anterior a média de uma tonelada de cana era de R$ 36. Hoje não passa de R$ 27?. Com a queda de preços, a única salvação do fornecedor de cana, frisou Edgar Antunes, é a equalização ? hoje tabelada pelo governo federal em R$ 5,07 por tonelada. ?A usina pode estocar açúcar ou álcool para vender no momento em que o mercado melhorar. Nós não temos opção. Ou tiramos a cana do campo na hora da colheita ou perdemos tudo?, disse. Redução O atraso no programa de equalização, cujos recursos não são repassados pelo governo desde 2002, é considerado uma ameaça para todo o setor sucroalcooleiro. O empresário Robert Lyra, diretor do grupo Carlos Lyra, disse que a tendência, sem esses recursos, é que o setor encolha na região. ?O Nordeste não tem como competir com o Centro-Sul na produção de cana-de-açúcar sem a equalização?, afirmou. ?Se o programa não for normalizado o setor vai diminuir, perdendo empresas, produtores e empregos na região?, completou. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL), Pedro Robério Nogueira, que também acompanha as negociações em Brasília, está um pouco mais otimista. ?Acho que o governo está consciente da gravidade da situação e deve apresentar uma solução satisfatória. No entanto, toda a sociedade deve se mobilizar para que isso aconteça?, alertou. Entenda O programa de equalização de custos da cana-de-açúcar é um programa instituído por Lei Federal. O objetivo é equalizar (igualar) os custos de produção da cana-de-açúcar entre o Centro-Sul e o Nordeste, eliminando, assim, as diferenças econômicas provocas por desigualdades climáticas. Os recursos para manutenção do programa são oriundos da Contribuição sobre a Intervenção do Domínio Econômico (Cide), mas não são repassados desde 2002.Os produtores calculam que o governo deve ao setor, hoje, cerca de R$ 600 milhões, que seriam destinados a 90 usinas e 20 mil fornecedores de cana-de-açúcar do Nordeste.