Economia
Cestas b�sicas s�o paliativos
Dados do extinto Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar (Mesa), revelam que em 2003 foram distribuídas 1.286 toneladas de alimentos para 18.828 famílias de acampados sem-terra, em Alagoas, através do Programa Fome Zero. Mas para a liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Estado, essa quantidade não resolve o problema dos sem-terra. Na opinião de Hercílio Leandro, uma das lideranças do movimento em Alagoas, os investimentos do programa deveriam ser feitos, aos sem-terra, em forma de desapropriação de terras e não de alimentos ou cestas básicas. ?A gente não quer viver a vida toda recebendo alimentos, doações de cestas básicas. Queremos terra para plantar e colher nosso alimento. Queremos a tão sonhada e prometida reforma agrária?, salientou. ?Com as terras nós podemos ter o nosso alimento, sem precisar receber doação de ninguém,? reforçou. Hercílio explicou que, realmente, o movimento recebeu a quantidade de alimentos disponíveis na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas não o suficiente para sustentar as famílias. ?São 27 quilos de alimentos para as famílias, por mês, e isso é muito pouco, considerando que uma família venha ter, no mínimo cinco pessoas. Além disso, há o problema da demora na entrega dos mesmos. Isso tudo é paliativo, não resolve o nosso problema?, declarou. Segundo ele, em Alagoas, cinco mil famílias ainda faltam ser assentadas e a previsão é de que esse número aumente ainda mais. ?Por isso, queremos que o governo federal cumpra o calendário da reforma agrária. Esse é o nosso pior problema. Resolvendo essa questão, os demais problemas serão resolvidos com mais tranqüilidade?. Ainda de acordo com o líder sem-terra, existem cerca de 60 a 70 propriedades no Estado improdutivas. ?Estamos aguardando uma posição do Incra, para a desapropriação dessas terras. Esperamos que essa definição aconteça logo, pois já esperamos demais?, reclamou. (FM)