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Pastoral define programa federal como utopia

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FERNANDA MEDEIROS ?Com um ano de Fome Zero, as políticas estruturais como geração de emprego e renda, reforma agrária, incentivo à agricultura, formas de proporcionar ao cidadão acesso aos alimentos, não aconteceram. Só aconteceu a implantação de bolsas e cartões e a distribuição de cestas básicas. Tudo isso é um somatório de utopias?. A opinião é da coordenadora da Pastoral da Criança em Alagoas, Ivone Torres, sobre o Programa Fome Zero. Segundo ela, a população não está preparada para esse tipo de ajuda. Em função disso, começa a se corromper, deixar os cartões serem utilizados por outras pessoas. ?Enfim, as pessoas acabam ficando viciadas em receber os benefícios de mão beijada?, observou a coordenadora. ?Ao invés de o governo ter implantado esses programas, deveria ter pensado em criar alternativas de geração de renda. O Fome Zero, do jeito que está sendo conduzido não dá certo. Não acredito nele, não acredito que em quatro anos o governo possa acabar com a fome no País. Ele deve ser desenvolvido com cidadania?, complementou. Decepcionada, Ivone Torres contou uma história interessante, porém triste, da qual participou durante um congresso realizado em Curitiba/PR, quando teve que ficar responsável pela questão da Segurança Alimentar e Social. ?Fui convidada a participar da reunião com as grandes metrópoles brasileiras, no caso Rio de Janeiro e São Paulo. Maceió estava nesse meio. Só nós três?, afirmou. ?Fiquei muito surpresa com essa inclusão e não acreditei. Só vim entender porque Maceió era considerada metrópole quando eles explicaram que a capital alagoana estava incluída pelo fato de as nossas crianças estarem em risco para sobrevivência infantil, na mesma proporção do Rio de Janeiro e São Paulo. Fiquei estarrecida?, salientou. Em um documento apresentado no congresso, da Pastoral Nacional da Criança, ela informou que constava que em Maceió de 98.355 menores de 6 anos, 48.299 são crianças muito pobres. Para se ter uma idéia, a Arquidiocese de Maceió, que engloba a capital alagoana e outros municípios, possui 200.331 crianças de 0 a 6 anos, e teve que ser subdividida em três setores, para que a Pastoral possa dar cobertura, neste ano, pois desse total de crianças, 119.280 vivem em situação de pobreza muito grande. ?O trabalho vai começar em fevereiro, percorrendo todos os bolsões de miséria, com uma ampla frente de ação, para ver se melhora o perfil dessas crianças, com educação e alternativas de geração de renda?, explicou Ivone, acrescentando que nessas famílias que vivem em situação de miséria, a maioria é analfabeta ou tem grau de escolaridade bastante precário. Exclusão Entidade reconhecida nacionalmente pelas ações que desenvolve, a Pastoral da Criança em Alagoas, por incrível que pareça, não recebeu nenhum recurso ou benefício do Fome Zero, segundo afirmou a coordenadora. ?Nada chegou para nós?, garantiu. Desenvolver ações básicas de saúde, nutrição, cidadania, educação nas comunidades e apoio integral às gestantes, incentivo ao aleitamento materno, vigilância nutricional, alimentação alternativa enriquecida, controle de doenças diarréicas e respiratórias, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids e alfabetização de jovens e adultos, entre outras, são algumas das ações desenvolvidas pela Pastoral, que está presente em 68 municípios alagoanos, atendendo cerca de 75 mil famílias. ?Tudo isso fazemos com o único e específico objetivo: a prevenção para o desenvolvimento humano?, ressaltou. Mas não é porque a Pastoral não recebeu recursos do Fome Zero, que vai parar suas ações. ?Temos dois projetos patrocinados pela Fundação Banco do Brasil e dois pelos Correios, já aprovados, que serão implementados em quatro municípios considerados de risco para a sobrevivência infantil: Murici, Rio Largo, Novo Lino e Coruripe. ?Trata-se da implantação de uma pequena fábrica de multimistura, nesses locais, com o objetivo de gerar renda para a população mais carente?, finalizou.

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