Economia
Chuvas fazem pre�os de hortali�as subirem
ANA MÁRCIA Alguns legumes e verduras comercializados na Ceasa de Alagoas já começam a subir de preços, num reflexo dos prejuízos causados pelas chuvas de verão que castigam sobretudo a Região Nordeste e o Agreste alagoanos, áreas que abastecem Maceió. Segundo cálculos feitos pela secretária-geral do Sindicato dos Permissionários e Comerciantes da Ceasa, Gilvanete Santos, o aumento estimado varia de R$ 30% a 50%. Certos produtos, menos resistentes, foram além e sofreram reajustes maiores, dobrando ou até triplicando de preço, um fenômeno movido pela lei da oferta e procura, reguladora do mercado. Alagoas importa mais de 80% das hortaliças, legumes, frutas, verduras e cereais que alimentam sua população. Batata inglesa A batata inglesa é um típico reflexo do fenômeno das elevadas chuvas de janeiro. Segundo um dos mais antigos comerciantes da Ceasa, o japonês Sumio Asakara, o produto passou de R$ 28,00, a saca de 50 quilos, para nada menos que R$ 48,00. ?Não se colhe batata quando chove, e por isso temos hoje um preço tão alto em relação ao comercializado há três semanas?, disse Sumio, que compra batata inglesa de São Paulo, onde também choveu bastante. O caso mais alarmante apresentado por Sumio Asakara é o do coentro: passou de R$ 0,14 para R$ 0,50, o molho. A mercadoria vem de Arapiraca e de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. ?A chuva destruiu muitas lavouras e acredito que há uma forte tendência de aumento de preços?, acredita o comerciante. Cebola e o tomate são outras culturas que não suportam água e logo apodrecem causando grandes prejuízos aos produtores e comerciantes. ?O tomate plantado leva muita chuva, é colhido na chuva e transportado na chuva: não agüenta e apodrece, já perdemos 20% da compra. O armazenamento torna-se um problema e a mercadoria pode ficar escassa e cara?, comenta Sumio. Em sua última aquisição do produto, a caixa de 15 quilos, que custava R$ 15,00, passou para R$ 30,00. Cebola O vendedor de cebolas, José Joaquim, está apreensivo com o problema da cebola. ?Se molhar está perdida, a chuva acaba com o produto?, alerta Joaquim que ainda tem um estoque considerável na Ceasa. O representante do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral), Digerson Novaes, explicou que, oficialmente, ainda não dispõe de dados sobre majoração de preços dos produtos comercializados na Ceasa, motivados por chuvas. ?O tempo desde o início das chuvas ainda é curto para a gente avaliar prejuízos e identificar aumento de preços?, admite. Da região de Petrolina (PE), um dos maiores centros produtores de agricultura irrigada do Nordeste, tendo como fonte o Rio São Francisco, chegam frutas como a uva, melancia, melão, pimentão, tomate, mamão, repolho, beringela, entre outros alimentos. Safra perdida A Bahia também fornece melancia, melão, inhame e feijão, do município de Irecê, um dos maiores centros produtores do País. O município de Santana do Ipanema, que era um centro produtor de feijão, não conseguiu safra nenhuma em 2003, castigada pela seca. Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraná também exportam para Alagoas. O Agreste, na região de Arapiraca, já vem produzindo hortaliças, abacaxi, melancia e inhame. O Estado também é auto-suficiente em banana, através dos municípios de União dos Palmares, Novo Lino, Ibateguara e Santana do Mundaú, mas importa arroz e farinha de Sergipe.