Economia
Aftosa: cadastro e GTA, mais importantes do que vacina
A vacinação não é, como muitos pensam, o principal fator para tornar Alagoas zona livre da aftosa. Para cumprir o ?dever de casa? estipulado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o primeiro passo a ser dado é a conclusão do cadastro agropecuário. O segundo passo é manter esse ?banco de dados? atualizado. Só depois desses dois itens é que aparece, por grau de importância, a vacina. Essas explicações foram apresentadas, ontem à tarde, durante a primeira reunião de trabalho do Fórum Permanente da Agropecuária de Alagoas pelo secretário adjunto da Agricultura, Hibernon Cavalcante. ?Devemos concluir o recadastramento ainda esse mês, se as chuvas deixarem. E a medida em que ele for sendo concluído, em cada município, vamos começar a funcionar com a emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA). Com essas duas medidas, manteremos atualizados os dados sobre os rebanhos alagoanos, atendendo uma das principais exigências do Ministério para avaliar uma nova classificação para Alagoas?, explicou. Durante a reunião realizada no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), da que contou com a participação de cerca de 60 pessoas, o secretário de Agricultura, Severino Leão, anunciou, ainda, que os R$ 2,5 milhões a mais no orçamento da Pasta, serão usados para investimentos ? compra de 50 automóveis e 60 computadores, entre outros itens ? destinados prioritariamente para o trabalho de combate à aftosa. Etapas Se conseguir cumprir o ?dever de casa?, que inclui além de um cadastro atualizado, vacinação do rebanho bovino acima de 80% por município; funcionamento de barreiras sanitárias nas regiões de divisas com outro Estado; dotação da Secretaria de Agricultura de Infra-estrutura (pessoa, carros, equipamentos), num total de 13 itens, o Estado estará apto a pedir nova classificação ao Ministério da Agricultura no programa de controle da aftosa. Atualmente, Alagoas está classificado como ?zona de risco desconhecido?. Por conta dessa classificação, o comércio de animais e produtos derivados está proibido em 20 estados e liberado apenas para o circuito Nordeste, formado por Alagoas e outros seis estados. O prazo para que Alagoas cumpra o ?dever de casa? termina esse ano. Se não houver avanços, o Ministério Ameaça impor sanções, entre elas, restrições ao comércio internacional de produtos agroindustriais, o que poderia afetar o açúcar. Otimismo ?Está devagar, mas pelo menos está no caminho certo?. A reação é do presidente da Associação dos Criadores de Alagoas, Álvaro Vasconcelos. ?Desta vez, parece que a Secretaria está de fato dando prioridade ao combate à aftosa. Só precisa agilizar um pouco mais?, completa. O presidente da Faeal, Álvaro Almeida, também está otimista. ?Por onde encontro o governador, ele reafirma que o controle da aftosa é prioridade. E pelas ações e recursos anunciados parece que é mesmo. Vamos fazer a nossa parte, colaborando no que for preciso. Mas também vamos cobrar?, resumiu. Fórum Ontem, segundo Álvaro Almeida, foi também aprovado o sistema de funcionamento do fóorum: reunião mensal na primeira segunda-feira de cada mês, sempre das 15 horas às 17 horas. ?O tema será apresentado dez dias antes da reunião, através de e-mail ou faz para o fórum ou para a Faeal?, explica. A próxima reunião será realizada no dia 1o de março. Um dos temas já definidos é a discussão da cadeia produtiva da carne em Alagoas.