Economia
Risco-Brasil dispara com pessimismo do mercado
São Paulo ? O temor de que o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil seja reduzido afetou os negócios. Nesta segunda-feira, um comunicado da Standard & Poor´s levou ainda mais pessimismo ao mercado. Segundo o informe, a América Latina deve liderar o número de downgrades (rebaixamento) da classificação de dívida soberana em 2004. O mercado já estava abalado por preocupações quanto ao futuro das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a autoridade monetária dá sinais de que os juros não devem cair tão cedo. Nos EUA, o Fed (Federal Reserve, o Banco Central norte-americano) mostrou estar disposto a elevar os juros em breve. A medida reduziria o interesse de estrangeiros em títulos de países emergentes como o Brasil, que pagam taxas altas para atrair investimentos. Risco despencou O risco Brasil, termômetro da desconfiança estrangeira nos títulos da dívida externa do país, atingiu ontem o maior patamar desde o dia 28 de novembro passado, quando encerrou em 530 pontos. Nesta segunda-feira, o indicador subiu 6,49%, aos 525 pontos, segundo a CMA, empresa de soluções e informação financeira. Desde o último dia 12 de dezembro, o risco-país não fechava acima dos 500 pontos. Durante o dia, o indicador chegou a subir mais de 10%, alcançando a máxima de 546 pontos. A disparada do indicador refletiu mais uma rodada de queda dos papéis brasileiros no mercado internacional. O C-Bond, principal título da dívida externa renegociada, caiu 1,02%, cotado a 97% do valor de face. Em janeiro, esses papéis chegaram a superar 100% do valor de face com as especulações de que o governo brasileiro resgataria em abril próximo os papéis acionando uma cláusula dos contratos. Um risco Brasil em torno de 500 pontos significa que os títulos do país pagam ao investidor, em média, um prêmio extra de 5%, na comparação a um título dos EUA, considerado de risco zero. O menor risco brasileiro é de 337 pontos, registrado em 22 de outubro de 1997. O maior é de 2.443 pontos, em 27 de setembro de 2002, período das turbulências eleitorais.