Economia
Chuvas retardam safra de cana em Alagoas
EDIVALDO JUNIOR A Usina Capricho está se preparando para iniciar uma ?nova? safra de cana. A indústria, localizada em Cajueiro, a 71 km de Maceió, está parada há três semanas. E só deve voltar a moer quando estiar. Com as chuvas atípicas de verão que caem no Estado desde a segunda semana de janeiro deste ano, as dificuldades e os custos da colheita aumentam. Sem matéria-prima, algumas empresas são obrigadas a parar temporariamente a fabricação de açúcar e álcool. O primeiro resultado da persistência das chuvas será o prolongamento da safra 03/04. Não só na Capricho. A expectativa é que todas as usinas e destilarias atrasem pelo menos em duas semanas a programação inicial de moagem. A Seresta, localizada em Teotônio Vilela (a 100 km de Maceió), já refez o planejameto e transferiu o final de safra do dia 10 para o dia 25 de fevereiro. Mas se continuar chovendo, a moagem pode se estender para março. As maiores usinas ? a exemplo de Coruripe, Caeté e Guaxuma ? devem moer até o começo de abril. ?Se continuar chovendo assim vai ficar cana no campo?, prevê o coordenador técnico do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL) e gerente geral da Seresta, Cariolando Guimarães. ?Há três semanas não conseguimos moer na Capricho. Nas outras unidades do grupo (Paisa e Sumaúma), a moagem é irregular?, resume o diretor do Grupo Toledo, Jorge Toledo. Rendimento Outro problema provocado pela chuva é a queda no rendimento industrial. Durante a ?safra da lama?, como os técnicos estão chamando o período em que a cana é colhida sob chuva, a matéria-prima chega as indústrias com muitas impurezas (areia, palha etc). ?A perda de produtividade industrial nos dias chuvosos chega a 30%?, avalia Guimarães. ?Com a chuva, as dificuldades de colheita aumentam muito. Também crescem os risco de danificar os canaviais?, completa. Com a perda de rendimento, avalia o coordenador técnico, a média de produção de açúcar por tonelada no Estado, que estava em 110 quilos no período seco, caiu para cerca de 80 quilos. ?Quando o tempo secar, a produtividade deve se recuperar. Mas não para os níveis anteriores. Com o excesso de umidade a planta tende perder o percentual de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis)?, resume. Diante do cenário atual, a extimativa do presidente do Sindaçúcar/Alagoas, Pedro Robério Nogueira, é que a produção agrícola aumente de 23,5 milhões para 25 milhões, desta safra em relação anterior, mas a produção industrial se mantenha. ?Não devemos registrar crescimento na produção de açúcar. No máximo, um pequeno acréscimo na produção de álcool?, resume.