Economia
Produtores e t�cnicos migram para MG e SP
Uma semana em Minas Gerais, outra em Alagoas. Esse tem sido normalmente o ritmo dos alagoanos que passaram a produzir cana em Minas e São Paulo. E essa não é uma rotina apenas dos usineiros não. Agrônomos, técnicos, consultores e até prestadores de serviços das usinas de Alagoas têm sido vistos, cada vez com maior freqüência, nos vôos entre Minas e Alagoas ou entre Alagoas e São Paulo. A prática de levar a ?equipe? está alagoanizando cada vez mais os canaviais mineiros. O gerente agrícola da usina Santa Juliana (grupo Triunfo), por exemplo, é Paulo Lyra. Conhecido e respeitado no setor, ele ocupava, até o ano passado, a mesma função na matriz do grupo, sediada na cidade de Boca da Mata, em Alagoas. Agora, mora em Minas. Mas antes disso gastou muitas horas dentro dos aviões. O vai e volta não é, como se pode pensar, exclusividade de usineiros ou gerentes de usinas. Fornecedores de cana ?escolhidos a dedo? também estão ajudando a escrever a história alagoana nos canaviais mineiros e paulistas. O grupo Olival Tenório convidou 12 fornecedores da Porto Rico que estão se tornando fornecedores de cana em São Paulo. O grupo João Lyra também está levando muitos alagoanos. Pelos cálculos do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal) , Edilson Maia, hoje já são mais de 100 fornecedores de cana alagoanos em terras mineiras e paulistas. ?Lá a produtividade é de 30 a 40% maior. Quando o alagoano chega, dá show?, diz. No entanto, Maia avisa que só é possível ir se tiver apoio da usina. ?Sozinho não dá para chegar lá?. Para os fornecedores ? e também usinas ? o negócio é arrendar terras. ?Em média, o valor do arrendamento é de 10% da produção/ano?, afirma o vice-presidente da Faeal. ?Além das condições climáticas favoráveis, outro ponto que pesa a favor da atividade é o apoio, não só das usinas, mas também das prefeituras?, avalia. Segundo Maia, junto com usinas e fornecedores, também vão prestadores de serviço e trabalhadores do campo e da indústria. ?É uma verdadeira migração no setor?, resume.