Economia
Mercado se recupera e bolsa fecha em alta de 1,84%
São Paulo - Em um dia tumultuado por conta do noticiário político, a volatilidade foi a principal característica da Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa oscilou entre os territórios positivo e negativo. No término dos negócios, a tendência positiva prevaleceu e o índice fechou aos 21.336 pontos, com alta de 1,84%. Pela manhã, o indicador chegou a cair 4,1%, abalado por novas denúncias publicadas pelas revistas Veja e Época. A proximidade do carnaval e a ansiedade com os desdobramentos da crise política promoveram forte movimento de vendas nos últimos dias. Só na quinta-feira, o Ibovespa havia caído 4,77%. Do dia 13, quando saiu a primeira reportagem-denúncia, até esta sexta-feira, o Ibovespa acumula perda de 7,48%. Dólar estável O nervosismo também voltou a dominar os negócios no mercado de câmbio nesta sexta-feira, véspera do feriado prolongado de carnaval. Apesar de toda a tensão, provocada por novas denúncias publicadas nas revistas Época e Veja, envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor do Ministério da Casa Civil, o dólar fechou a R$ 2,958 na venda, com leve variação negativa de 0,06%, interrompendo uma seqüência de cinco dias de alta. Pela manhã, a moeda chegou a subir 2,4%, atingindo R$ 3,031, superando a marca dos R$ 3 pela primeira vez desde agosto do ano passado. A melhora nos negócios no período da tarde, segundo analistas, ocorreu após a venda de dólares no mercado feita pelo Banco do Brasil e uma outra instituição privada. Também teve impacto imediato na cotação do dólar a notícia de que o governo pretende fechar os bingos existentes no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai editar uma medida provisória para fechar todas as casas de bingo e proibir o funcionamento e importação de máquinas caça-níquel. Analistas explicam que o mercado já estava comprando mais dólares para se proteger de acontecimentos inesperados durante o feriado prolongado de carnaval. As denúncias publicadas ontem aceleraram o processo de compra pela manhã. No entanto, quando o dólar superou os R$ 3, alguns exportadores aproveitaram para vender a moeda. Esse movimento, aliado às vendas feitas por bancos e à fala de Lula, ajudou a reduzir a pressão no mercado. O encerramento dos negócios com câmbio, ações e títulos da dívida externa brasileira foi tranqüilo na véspera do feriado prolongado de carnaval, apesar do nervosismo gerado pela manhã com a publicação de denúncias que envolvem pessoas ligadas ao governo federal. O risco-Brasil, que mede a confiança dos investidores no país, recuou 0,84%, para 584 pontos básicos, após bater os 620 pontos. Desde outubro, o indicador não ultrapassava os 600 pontos. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, tinha alta de 0,46% no fim do dia, para 94,562% do seu valor de face.