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Bloco do acaraj� anima o carnaval de Macei�

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FERNANDA MEDEIROS Na Rua Armando Wruchierre, localizada no bairro do Jacintinho, a maioria dos moradores estará participando da folia neste carnaval, num verdadeiro bloco. Não para brincar como foliões, mas para trabalhar, ganhar um dinheiro extra, durante os quatro dias das festividades de Momo. É que a maioria da rua é composta por pessoas que têm carrinhos de acarajé e comercializam o delicioso quitute da culinária baiana, para conseguir faturar uma grana e poder sustentar a casa, a família. Este ano eles prometem, mais uma vez, misturar o ritmo do carnaval alagoano com a culinária baiana. São mais de 20 pessoas em uma única rua do bairro, com este ofício. Em uma vila localizada na mesma rua, por exemplo, das seis famílias residentes no local, quatro são compostas por vendedores de acarajé. E eles já estão, literalmente, com as mãos na massa, para o preparo do produto, com o objetivo de que o mesmo não falte no carnaval. É o caso de Domingas Josefa de Mendonça, uma senhora alegre e disposta, que possui dois carrinhos de acarajé. Comercializa o produto há 12 anos e já passou o ?modo de preparo? do delicioso quitute para os filhos e sobrinhos. ?É uma arte que vai passando de pai para filho?, orgulha-se. Durante a semana, ela afirma que vende acarajé em uma das esquinas movimentadas do Jacintinho. Mas, nos fins de semana, os pontos onde está são as praias de Pajuçara e Ponta Verde. No carnaval, ela explica que o marido vai à Barra de São Miguel vender o produto para os foliões que normalmente deixam a capital alagoana para curtir a folia na praia. ?Ele vai para lá e o meu sobrinho fica no lugar dele, perto da Feirinha do Artesanato, na Pajuçara. Já eu, fico no meu ponto de sempre, a Praia da Ponta Verde?, disse. ?A gente precisa ganhar dinheiro de todos os lados, pois a situação não tá fácil. Antes, a concorrência era pequena, mas hoje há muitos vendedores de acarajé. A concorrência aumentou muito?, opinou. O sobrinho que ela cita é o jovem Juscelino Santos de Mendonça, 17, que desde cedo aprendeu a por a mão na massa e preparar o acarajé. Custo Domingas Josefa informa que o acarajé que vende custa R$ 1, na praia. Já na esquina do bairro onde mora, a iguaria é vendida a R$ 0,50. E o preço será mantido para os foliões na Pajuçara e Ponta Verde. O custo para fazer o acarajé é dispendioso, mas não disse quanto. ?Não sei nem dizer, pois compramos o material em grande quantidade. Daí vendemos o produto e o dinheiro arrecadado já vai para comprar mais?, afirmou. O mesmo caminho segue a irmã de Domingas, Eliete Josefa de Oliveira, que também tem carrinhos de vender acarajé e comercializa na praia e no bairro do Jacintinho, há 13 anos. Neste carnaval, espera faturar mais do que o valor que consegue obter em dias comuns. Os preços que comercializa são R$ 1 na praia e R$ 0,75 no bairro. ?Normalmente faturo, por semana, cerca de R$ 100, mas é pouco. Espero faturar mais nos quatro dias de folia?, observa ela, que também tem um ponto na Pajuçara. ?Às vezes saio para vender na praia e não consigo vender mais do que duas unidades. Daí volto para casa e guardo a massa no freezer, para não estragar e utilizo-a no dia seguinte?, revela. Já Domingas afirma que consegue faturar, semanalmente, cerca de R$ 150 na esquina onde vende à noite. Na praia, no entanto, o movimento é fraco, segundo afirma. ?Tem dias que não faturo mais que R$ 20. Agora, quando o movimento está bom, consigo entre R$ 45 e R$ 50?, diz, acrescentando que nas prévias carnavalescas, realizadas no último fim de semana, conseguiu apenas R$ 21. Outra categoria que também pretende faturar boa grana nas festividades de Momo são as tapioqueiras, que comercializam o produto em grande parte da orla da Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. Neste carnaval, porém, algumas delas vão viajar para as cidades balneárias, a fim de conseguir um extra com os foliões que lá estarão, neste carnaval. É o caso, por exemplo, da boliviana Ana Maria Velasco, que vai passar o carnaval em Barra de São Miguel. Há nove anos em Maceió, ela diz que aprendeu a fazer tapioca com uma irmã, que já morava na capital alagoana bem antes dela. ?Vim de férias, gostei da cidade e fiquei. Hoje, faço e vendo tapioca na praia?, afirma a tapioqueira, formada em Laboratório de Patologia Clínica. Segundo ela, chega a faturar, na baixa temporada cerca de R$ 1.500 por mês. Já na alta temporada, como no carnaval, por exemplo, o faturamento fica em torno de R$ 5 mil. E tem tapioca de todos os tipos, segundo ela, sabores que foram criados pelas duas. Coco com leite condensado, com doce de leite, queijo e carne do sol, calabresa, atum, frango com catupiry, chocolate, e por aí vai. ?Nós inventamos esses sabores e as demais tapioqueiras resolveram fazer do mesmo jeito. Mas eu e minha irmã somos as pioneiras?, garante, acrescentando que os preços variam de R$ 1 (a comum) a R$ 4,50 (a de coco com queijo, frango e catupiry).

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