Economia
OIT: falta de trabalho decente � maior risco � seguran�a mundial
O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o chileno Juan Somavía, afirmou que a falta de trabalho decente no mundo pode se tornar ?o principal risco para a segurança internacional?. Somavía participou, em Londres, da apresentação do relatório ?Uma globalização justa?, elaborado nos últimos dois anos pela Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização, dirigida pelos presidentes da Finlândia, Tarja Halonen, e da Tanzânia, Benjamín Mkapa, também presentes na entrevista coletiva. O relatório pede a redução das barreiras comerciais e leis mais justas nos mercados de trabalho e das finanças e estabelece, como ?objetivo global?, a consecução de um trabalho decente para todos, através de políticas nacionais e internacionais. O diretor-geral da OIT disse que melhorar a qualidade do trabalho e gerar mais empregos estáveis é ?uma ?prioridade mundial?. ?Com tantos riscos à segurança internacional, o principal é o impacto de um bilhão de pessoas que estão desempregadas ou em sub-empregos ou são trabalhadores muito pobres?, assegurou. Somavía afirmou que o problema tem ?um impacto social gigantesco? e que por enquanto não foi resolvido nem pelos governos nem pelos organismos internacionais, ?que não estão trabalhando juntos?. O relatório apresentado em Londres defende um melhor funcionamento e colaboração entre os organismos multilaterais, assim como o fortalecimento do sistema das Nações Unidas, como o presidente da Tanzânia destacou na entrevista coletiva. ?Um provérbio chinês diz que não se pode apagar um incêndio com um papel e isso é o que está ocorrendo agora (...) O atual processo de globalização é insustentável?, afirmou Mkapa, que denunciou em várias ocasiões a desigualdade do desenvolvimento no mundo. O dirigente tanzaniano exigiu para as nações pobres ?a mesma escada? que permitiu o desenvolvimento dos países ricos e foi taxativo: ?Não estamos mendigando, estamos pedindo simplesmente um sistema justo de troca no qual todos possamos colaborar?, disse. Por outro lado, a presidente da Finlândia afirmou que a atual situação mundial ?não é ética? e destacou os potenciais benefícios do processo de globalização, se este for utilizado para melhorar a qualidade de vida da população. Quanto à política migratória, Halonen disse que se trata de um tema ?sensível? que pode ter benefícios. O relatório propõe a criação de um sistema multilateral que garanta leis justas e a proteção dos imigrantes.