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Palma vira ra��o e barateia produ��o de leite

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Técnicos da Secretaria Executiva de Agricultura, Abastecimento e Pesca (Seap) se preparam para avaliar uma nova ração produzida a partir do farelo da palma forrageira, que promete reduzir os custos da produção do leite, além de garantir um alimento com alto teor de proteína. A pesquisa para o desenvolvimento dessa ração teve início em 2002, numa parceria entre o governo do Estado, Banco do Nordeste ? e o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci), por meio do Pólo da Bacia Leiteira de Alagoas e as empresas produtoras de Leite Ilpisa e Camila. Planta bastante conhecida pelos produtores rurais da região do Sertão, a palma é utilizada como alimento animal principalmente no período de seca. Mas o problema é que ela apresenta um baixo teor de proteína. Utilizando uma tecnologia adaptada à ?sacharina da cana-de-açúcar?, os pesquisadores encontraram um caminho para superar essa carência. O coordenador da pesquisa, engenheiro agrônomo Fernando Gomes da Silva, explica que a tecnologia para a produção da ração com o farelo da palma forrageira foi adaptada a partir da ?Sacharina da cana-de-açúcar?, tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Ciência Animal de Cuba (ICA) e adaptada pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) em 1989 às condições locais. Atualmente, existem dois núcleos de produção da sacharina da palma: um em Batalha e outro em Santana do Ipanema. Segundo Fernando Gomes, a avaliação dos níveis de substituição de concentração comercial pelo farelo de palma enriquecido na dieta de vacas leiteiras em produção será feita em duas etapas. A primeira consistirá em um ensaio de digestibilidade e consumo voluntário, por meio de ruminantes de pequeno porte (carneiros emasculados por um período de 28 dias, onde serão mensurados o consumo de excremento, entre outros). A segunda consistirá em um teste de produção de leite, sob condições de propriedade no pólo. Fernando explica que esse procedimento é necessário, uma vez que é respaldado em recomendação de avaliação de alimentos (normas internacionais). Por isso, antes de proceder as avaliações em animais de grande porte (vacas holandesas) é de praxe realizá-las em laboratório (com animais de pequeno porte). Os testes com a ração já começam a partir de março e todo o trabalho de pesquisa deverá estar pronto em junho. Mas, antes mesmo da avaliação do campo, as pesquisas dos técnicos alagoanos já são destaque nacional e foram alvo de uma reportagem do programa Globo Rural, da Rede Globo. A divulgação da pesquisa despertou o interesse de produtores de todo o País. Alguns produtos de várias regiões já estão utilizando a ração de farelo de palma, mesmo antes da conclusão da pesquisa. A principal vantagem da nova ração é a redução dos custos com a produção do leite. Uma tonelada sai em torno de R$ 187 mil, cerca da metade do preço do milho em grão e custa quase seis vezes menos do que o farelo de soja. O enriquecimento protéico da palma forrageira envolve no seu processo fermentativo a ação de microorganismos em presença de uma mistura mineral. Assim a partir da palma ?in natura? (com baixo teor de proteína) tem-se a obtenção de um farelo enriquecido (desidratado e rico em proteína microbiana). Processo O processo para obtenção começa com a seleção dos cladódios (raquetes), retirando os mais velhos e fibrosos. O processamento do material colhido é feito em até 24 horas. O material é triturado em piso de cimento, chão batido em lona, de modo que fique com uma camada de aproximadamente 10 centímetros de altura. A este material é adicionada uma mistura mineral, revolvendo e tornando a espalhar o mesmo, formando novamente uma camada de 10 centímetros de altura. Depois a operação é revolvida a cada 12 horas; nesta fase, o material deverá permanecer à sombra e em ambiente arejado, por um período de 24 horas. Após este período, colocar para secar ao sol, por 60 horas, podendo em seguida ser utilizado no arraçoamento dos animais ou armazenado por um período de até seis meses. As próximas fases dessa atividade objetivam o repasse e o devido ajuste tecnológico do produto no âmbito dos pecuaristas da região. Para isso, os resultados obtidos e uma vez devidamente comprovados serão em ocasião oportuna utilizados em atividades de experimentação animal (juntamente com outros alimentos), visando sobretudo informações sobre o consumo e respostas na produção pecuária.

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