Economia
Argentina paga FMI na �ltima hora e evita calote
Buenos Aires - A Argentina fechou um acordo de última hora com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e pagou a parcela de US$ 3,1 bilhões, que venceu ontem. A informação foi confirmada pela Casa Rosada. Os detalhes do acordo serão divulgados hoje pelo FMI. De acordo com o governo argentino, o FMI cedeu em todas as exigências feitas ao país, entre elas, o pedido para que a reestruturação da dívida com os credores privados fosse conduzida por bancos estrangeiros privados. Kirchner se negava a aceitar esse termo. O país e o Fundo chegaram a um entendimento após uma conversa telefônica entre o presidente Néstor Kirchner e a diretora-gerente interina do Fundo, Anne Krueger, concluída às 13h (mesmo horário em Brasília). De acordo com a Casa Rosada, o FMI cedeu nos pontos considerados principais para a Argentina, entre eles, a exigência do percentual mínimo de adesão dos credores ao programa de reestruturação da dívida. O Fundo exigia que a adesão ao programa abrangesse, no mínimo, 80% dos credores. O governo argentino diz que esse percentual é impossível e que não deve superar os 60%. As negociações com o Fundo se arrastavam havia semanas. Uma equipe de técnicos do FMI se reuniu diversas vezes com funcionários do Ministério da Economia na tentativa de se chegar a um entendimento. Na segunda-feira, o presidente Kirchner chegou a fazer uma reunião de cúpula - que contou com a presença dos ministros que formam o que poderíamos chamar de ?núcleo duro? do governo argentino - para decidir qual posição o país adotaria nas negociações. O entendimento evitou que o país entrasse em moratória pela segunda vez com o Fundo. Em setembro do ano passado, a Argentina atrasou por 48 horas o pagamento de uma parcela de US$ 2,9 bilhões. O calote com o Fundo, decretado em setembro de 2003, foi uma forma de o governo pressionar a instituição. Kirchner condicionou o pagamento ao sinal de que o Fundo fecharia um novo acordo com o país. No dia seguinte ao calote, o FMI cedeu e aprovou um acordo de três anos com a Argentina.