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Alagoas investe no doce neg�cio da apicultura

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FERNANDA MEDEIROS Apicultura é olhar para uma colmeia e ver o que acontece. O que vemos é muita trabalheira, mas organizada e o vaivém das abelhas de uma flor para outra. E o resultado não poderia ser mais doce: o mel. E essa forma de se extrair o mel já virou moda em toda Alagoas. Várias são as pessoas que estão querendo entrar no ramo da apicultura, para conseguir bons lucros com um investimento relativamente pequeno, tendo em vista que, segundo os apicultores da terrinha, o lucro anual chega a mais de 100%. Os equipamentos para se montar uma casa de mel, como é chamado o local da fabricação do mel, são baratos. Uma caixa de ninho completa com melgueira, a mesa desoperculadora, a centrífuga e a máquina decantadora. Esses são os equipamentos. Os mais simples e não menos eficientes que os mais modernos custam, hoje, em torno de R$ 3.200. ?É um investimento que em um ano e meio a dois anos dá para ser retirado tranqüilamente?, explicou o técnico agrícola e estudante de Biologia Fábio Hastenreter, que também é apicultor. De acordo com ele, existe uma linha de crédito nos Bancos do Brasil e do Nordeste, via Cooperativa dos Apicultores de Alagoas, que financia empréstimos às pessoas que são filiadas à entidade e que desejam começar o negócio. ?Hoje, existem em Alagoas 44 pessoas cooperadas, todas envolvidas com a produção do mel de abelha?, explicou, acrescentando que a grande vantagem do ramo é o fato de ser uma economia estritamente familiar. ?Depois que o negócio se torna amplo, já pode se tornar uma empresa?, observou. A produção nacional anual de mel, segundo estimativas, é de 24kg. Mas em Alagoas, é possível produzir cerca de 40kg por ano e, com a apicultura migratória, ou seja, o tipo que colhe o produto em vários municípios, pode chegar a 100kg por ano. ?No nosso caso, a gente leva para São José da Tapera, Jaramataia e Batalha, principalmente quando chove na área do Sertão?, afirmou Fábio Hastenreter, acrescentando que a produção de mel no Estado é exportada para a Bahia e o Ceará, mas também serve ao comércio interno. Produção simples Fábio Hastenreter e seus amigos, o músico Edberto Oliveira e o administrador de empresas André Tenório, todos apicultores, utilizam o espaço físico da casa de mel A Colmeia, empresa de apicultura de propriedade do produtor Mário Calheiros, localizada no Village Campestre I. ?A gente utiliza o espaço para a nossa fabricação, mas em breve teremos o nosso próprio espaço?, avisou. ?Hoje, temos um total de 100 colmeias?, completou. O processo da produção de mel é bem simples. Basta seguir todas as etapas, segundo informa Edberto Oliveira. A primeira delas é a que começa no campo, para colher as melgueiras, a cada 15 dias, que estão nas caixas de ninho. ?No nosso caso, fazemos a colheita em Ipioca, onde fica o nosso apiário?, explicou. A seguir, as melgueiras são levadas para o entreposto para a retirada do mel, que já está devidamente desidratado pelas próprias abelhas. A terceira etapa é a mesa desoperculadora, para fazer a retirada da cera. Após essa etapa, o apicultor leva o mel (que está na melgueira) para a centrífuga, onde ele será escorrido em depósitos e depois será levado para a máquina de decantação, onde passa de três dias a uma semana para purificar (tirar os resíduos de cera). ?Vale dizer que a cera retirada das melgueiras está sendo guardada para comercialização. Pois como a nossa produção de cera ainda é pequena, não podemos ainda comercializá-la?, ressaltou o produtor. Hoje, o quilo do mel, em grosso (preço de custo) chega a R$ 5. Pode ser revendido por R$ 17. Já o litro do mel (que corresponde a mais ou menos 1,3kg, nos supermercados e lojas especializadas, está sendo comercializado a R$ 20. ?Dá para tirar um bom lucro?, anima-se André Tenório. ?Por causa disso é que a cada ano tem aumentado a procura pela apicultura no Estado?, complementou.

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