Economia
Subs�dio da cana une fornecedores e usineiros da regi�o nordestina
EDIVALDO JUNIOR Divergências à parte, fornecedores de cana e usineiros do Nordeste estarão se unindo em torno de uma causa que promete atrair políticos nordestinos de todas as tendências esta semana em Brasília ? a equalização ou, como é mais conhecida, o subsídio da cana-de-açúcar. Uma comissão de produtores de cana-de-açúcar conseguiu marcar uma audiência com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues para a próxima quarta-feira. A bancada nordestina vai acompanhar toda a movimentação, antecipa o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL), Pedro Robério Nogueira. ?A mobilização em Brasília é muito grande. O governo, finalmente, parece ter se sensibilizado?, disse. ?O deputado federal José Múcio, de Pernambuco, que é líder do PTB, confirmou a audiência. Aqui de Alagoas acredito que devem ir os nove deputados federais e pelo menos dois senadores?, completou. Na audiência os produtores vão entregar um relatório mostrando a ?imperiosa? necessidade da retomada do programa. ?As usinas e os fornecedores estão sofrendo pressões por causa da queda de preços dos produtos finais no mercado. Sem a equalização é provável que deixem de aplicar os tratos culturais adequados na lavoura, comprometendo para o futuro a produção da região. A nível imediato, o mais grave será o aumento do desemprego e a diminuição do nível de renda nos municípios canavieiros?, enfatizou Pedro Robério. A comissão de produtores de cana do Nordeste também deve ser recebida pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo e pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu. ?Vamos bater em todas as portas?, avisa o presidente do Sindaçúcar/AL. Convulsão O presidente da Asplana, Edgar Antunes enviou, essa semana, uma carta ao governador Ronaldo Lessa, alertando para a gravidade da situação do setor. ?O preço da tonelada da cana caiu mais de 30% nesta safra em relação à anterior. Tem fornecedor que não vai ter condição sequer de manter a própria família, quanto mais fazer os tratos culturais da lavoura. Se nenhuma medida for adotada, corremos o risco de enfrentar uma convulsão social?, advertiu. A Asplana defende que o governo de Alagoas socorra os fornecedores com ações específicas. ?O que estamos pedindo e acreditamos ele pode fazer muito bem, pela relação que tem com o presidente Lula, é pressionar o governo federal a liberar os recursos do subsídio. Se sair, a equalização vai nos ajudar a atravessar a crise?, disse. Atrasados Pelas contas do Sindaçúcar/AL o governo federal deixou de repassar cerca de R$ 600 milhões para os produtores nos últimos dois anos. Os recursos, cobertos pela Cide (Contribuição Sobre a Intervenção do Domínio Econômico) são assegurados por lei. O objetivo é equalizar (igualar) os custos de preço entre o Nordeste e o Centro-Sul. Como os nordestinos têm um custo maior, o governo deveria repassar, de acordo com o último valor tabelado, R$ 5,07 por cada tonelada de cana produzida na região. O programa é limitado a um volume de 48 milhões de toneladas de cana por safra. O programa de equalização de custos da cana-de-açúcar foi suspenso durante três anos no governo de FHC. Depois de pressões e processos judiciais, o subsídio foi retomado em 2001. O governo Lula começou a acenar com a possibilidade de voltar a liberar recursos a partir do início deste ano, quando ficou constatado o agravamento da situação do setor no Nor-deste. O preço da tonelada de cana-de-açúcar no Nordeste caiu de uma média de R$ 38 na safra 2002/03 para uma média de R$ 27 na safra 2003/04. A situação piorou em janeiro, com as fortes chuvas que caíram na região e contribuíram para redução da produtividade industrial. Sem a ajuda do governo, os fornecedores ameaçam demitir ? o setor emprega mais de 200 mil trabalhadores na região - e não aplicam os tratos culturais na lavoura.