loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Ocupa��o informal pode ter acesso a financiamento

Ouvir
Compartilhar

A microempresa, segundo o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles de Carvalho, é um empreendimento majoritariamente familiar. Por isso, suas relações de trabalho são estreitas. O número de empregos ? na verdade, ocupações ? gerado nas microempresas é pequeno. Mais da metade dos empreendimentos ocupa apenas o próprio proprietário. E apenas uma em cada dez empresas emprega mais de três pessoas, a maioria familiares, e quase ninguém tem carteira assinada. ?A maior parte dessas pessoas ligadas à família não tem renda alguma ou recebe até um salário mínimo. Somente um quarto dos trabalhadores recebe acima disso?, explica o professor. O papel dos bancos Os microempresários alagoanos, na opinião do professor Cícero Péricles, têm na falta de crédito uma de suas principais restrições ao crescimento. ?Para que esse ponto de estrangulamento seja resolvido, é necessária a ampliação do papel das instituições existentes, como o Banco do Nordeste e o Banco do Cidadão, a abertura urgente de agências do Banco Brasil Popular, o braço do Banco do Brasil na área do microcrédito, e o fortalecimento de entidades ligadas a microfinanças, como algumas ONGs e fundações?, diz ele. O Banco Brasil Popular começou a funcionar, mas em caráter experimental, em três capitais brasileiras. Maceió ficou de fora. O programa Crediamigo, do BNB, existe desde 1998, mas, apesar de interessante, é pouco atuante em Alagoas, apresentado o menor número de operações e de clientes. Ele privilegia, claramente, o Ceará ? onde fica a sede do BNB ?, que tem quatro vezes mais clientes e recebe mais recursos que Alagoas, Sergipe e Pernambuco juntos. ?Sucesso mesmo é o Banco do Cidadão, que no seu primeiro ano já realizou 1.500 empréstimos, contando com apenas R$ 700 mil em caixa. É uma experiência positiva, que deveria ser adotada em todos os municípios?, diz Cícero Péricles. A demanda em Alagoas A economia alagoana precisa de microcrédito tanto na parte rural, onde mais de 100 mil famílias vivem em pequenos estabelecimentos, carentes de apoio financeiro, como na parte urbana, onde predomina a economia informal. O IBGE revela que 1,1 milhão de pessoas compõem a população economicamente ativa (PEA) de Alagoas. Dessas, somente 240 mil têm carteira assinada. ?Essa maioria autônoma precisa de crédito?, ressalta Cícero Péricles. Formalmente, diz ele, Alagoas tem apenas 15 mil empresas comerciais e de serviços formais. ?No entanto, ruas inteiras de bairros populares funcionam à base da economia informal. É ela que, ao lado da Previdência Social, sustenta e mantém a economia da maioria dos municípios alagoanos. É neste setor que as instituições do microcrédito devem atuar?, afirma. Edna Maria dos Santos é sacoleira. Vende confecções há 13 anos e, com seu esforço, já conseguiu comprar casa própria na Jatiúca. Pediu e obteve um empréstimo de apenas 200 reais no Banco do Cidadão. Aplicou tudo em roupas para vender no Natal passado, e se deu bem. ?Quando acabar de pagar, quero renovar o crédito num valor mais alto?. O presidente do Banco do Cidadão, Pedro Verdino, afirma que a instituição pretende ampliar a atuação para outros municípios do Estado além de Maceió. ?Essa expansão vai fomentar a criação e o crescimento de muitos pequenos negócios. É uma responsabilidade do Estado e das prefeituras?.

Relacionadas