loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Microcr�dito pode atender meio milh�o de alagoanos

Ouvir
Compartilhar

PLÍNIO LINS Uma pesquisa sobre o ?perfil do microempreendedor em Maceió? foi realizada entre agosto e outubro do ano passado por uma equipe de 11 universitários e dois formados e dirigida pelo professor Cícero Péricles de Carvalho, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A pesquisa foi encomendada pelo Banco do Cidadão, uma instituição de microcrédito bancada meio a meio pelo Estado e Prefeitura de Maceió, e financiada pela Fapeal. O levantamento serviu para conhecer o perfil dos microempresários de Maceió, sua estrutura familiar, a inserção no sistema financeiro e as características do negócio. A pesquisa revelou que a demanda potencial por microcrédito pode atingir, em todo o Estado, 500 mil clientes. A pesquisa foi realizada com 360 entrevistas nos 50 bairros da capital junto a empreendedores de baixa renda, que vivem, em geral, na economia informal e que, na sua ampla maioria, não têm acesso ao sistema tradicional de crédito. Segundo o professor Cícero Péricles, diferentemente do crédito ao consumo, realizado pelas financeiras do tipo Losango ou Fininvest, o microcrédito é dirigido a atividades produtivas. ?Não importa se o cliente é formal ou informal?, ressaltou ele. ?A garantia do empréstimo, o aval bancário, pode ser obtido de diversas maneiras e a existência do agente de crédito, que acompanha a empresa antes e durante o empréstimo, é uma outra forte garantia?. O volume emprestado em geral é pequeno, feito de forma desburocratizada e está relacionado com as necessidades do investimento. Os prazos, tanto para liberação do dinheiro como para o posterior pagamento, são menores que na rede oficial. O professor explica que esse tipo de microcrédito exemplifica a atuação do Estado contra a pobreza. ?Não é o caso de ação contra a fome, nem contra a miséria, nem contra as desigualdades sociais?, explicou Cícero Péricles. ?Tampouco gera empregos: ela atua com pessoas que já têm uma ocupação, quase sempre informal, e trata de ajudá-las?. Ou seja, o tomador do empréstimo tem que possuir um patrimônio mínimo, precisa ter habilidades profissionais e, claro, tem que estar atuando. Perfil Os dados da pesquisa revelam que o perfil pessoal e familiar do conjunto dos microempresários em Maceió tem, no geral, um padrão com algumas características básicas: um pouco mais da metade é composto por mulheres. Têm escolaridade baixa - poucos concluíram, no máximo, o Ensino Médio. Residem em Maceió há mais de cinco anos. São casados, têm casa própria e idade entre 31 e 50 anos. O contingente familiar varia entre duas a seis pessoas, com uma média entre um a quatro dependentes. A renda familiar varia entre dois e quatro salários mínimos. A maioria não tem outra renda, além do seu pequeno negócio. E, da parte menor que tem outra fonte de renda, ela é proveniente do salário ou da aposentadoria de outro familiar (ver quadro estatístico na página ao lado). No sentido empresarial, ainda segundo Cícero Péricles, ?os negócios são quase todos informais, centrados, basicamente, em pontos comerciais ou de serviços: pequenos comércios e serviços, poucos de indústria e menos ainda de agricultura?. Esses empresários estão, quase todos, há mais de um ano na atividade. O ponto comercial é quase sempre desvinculado da residência, dividido de forma equilibrada entre os alugados e os próprios. Os ambulantes são minoritários. A ampla maioria não tem conta bancária e os bancarizados, 25% do total, têm conta em bancos estatais, como Caixa Econômica e Banco do Brasil. De maneira quase semelhante, o pesquisado-padrão não possui poupança, e a parcela minoritária a faz para ampliar o negócio ou se garantir diante de uma eventualidade desfavorável, como doenças. ?Como são empresas pequenas e informais, as compras são feitas à vista, em dinheiro, quase diariamente, ou em períodos curtos de poucos dias, em valores baixos: 500 reais. O volume médio de compras mensais é de 2 mil reais. Como não têm fonte de crédito, utilizam o capital produzido na empresa. Os poucos que tem acesso ao crédito recorrem a familiares, agiotas, financeiras e bancos oficiais?, salientou Cícero Péricles. É impressionante, segundo o professor, o que um pequeno empréstimo no Banco Cidadão pode fazer por esse microempresário. ?Às vezes, 300 ou 500 reais são decisivos para esse pequeno empreendedor informal. É um dinheirinho que para a classe média não tem tanta importância, mas para o pequeno negociante é um desafogo. Ele aproveita cada centavo. Está acostumado a lidar com pequenas quantias, com pequenos preços?. Quando um interessado pede o microcrédito, o Banco do Cidadão vai lá, com um agente de crédito, e verifica se ele tem condições de receber e pagar um empréstimo. Se tudo estiver bem, o dinheiro sai rápido. ?E eles pagam em dia?, garantiu Péricles. ?A inadimplência é mínima?.

Relacionadas