Economia
Lula e Kirchner se unem e pressionam por mudan�as no FMI
Rio - Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, vão defender nas negociações com o FMI e com outros organismos financeiros internacionais que o crescimento econômico e a sustentabilidade das dívidas de seus respectivos países sejam incluídos quando forem calculadas suas metas de superávit primário (dinheiro economizado para pagar os juros da dívida). ?Nas negociações defendemos em conjunto que o superávit primário leve em conta sobretudo a necessidade de crescimento?, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. No documento elaborado no encontro, os dois países também defendem que os investimentos em infra-estrutura não sejam contabilizados no superávit primário, ou seja, não sejam vistos como gastos públicos. Segundo Amorim, essas duas propostas vão permitir que o próprio superávit seja sustentável a longo prazo. Outra proposta que consta do documento é a elaboração de um mecanismo que neutralize os choques financeiros oriundos de países desenvolvidos. Além disso, os dois governos pretendem realizar ações conjuntas para eliminar os subsídios de países ricos e abrir novos mercados. Amorim disse que os dois presidentes convidam os demais países do Mercosul ou associados ao bloco a se unir a esse processo. O ministro argentino Rafael Bielsa (Relações Exteriores) disse que ?é muito importante que hoje possamos expressar nossa coincidência de idéias sobre como devemos encarar o problema da dívida?. Desde o final de fevereiro, Lula tem procurado líderes internacionais para pedir apoio nas negociações com o FMI por mudanças no cálculo do superávit primário. Lula falou sobre o assunto com o presidente dos EUA, George W. Bush, com o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Gerhard Schröder e os premiês da Espanha, José María Aznar, e do Reino Unido, Tony Blair.