Economia
Jacar�s salvos da extin��o d�o lucro em Alagoas
MÁRIO LIMA A microempresa alagoana Mister Kayman é a primeira no País a beneficiar e vender a carne e o couro do jacaré-de-papo-amarelo, com liberação oficializada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Recursos Naturais e Renováveis (Ibama). A exploração econômica do anfíbio só foi possível a partir de dezembro de 2003, quando uma comissão de alto nível, formada por 220 cientistas brasileiros, decidiu retirar o nome do caiman latirostris - nome científico do bicho - da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção - devido a seu quase sumiço em conseqüência da caça predatória e indiscriminada. Considerada pelos especialistas do setor como o maior criatório em cativeiro do papo-amarelo da América Latina, o Mister Kayman, localizado em Fernão Velho, no coração de um pedaço generoso de Mata Atlântica, abriga cinco mil jacarés, em 45 tanques de reprodução, estufas e berçários mantidos a uma temperatura média de 32 graus. No período de desova, são mais de 1.500 ovos eclodidos. O abate legal do jacaré-de-papo-amarelo é permitido já aos dois anos, quando pesa em média de 20 a 30 quilos e mede até 50 centímetros, e alcança um preço de mercado de 160 dólares a peça, ou US$ 4 o centímetro. Um negócio da China! Torcidas à parte, a liberação das vendas comerciais do papo-amarelo originário de cativeiro pelo Ministério promete aquecer um mercado que pode gerar lucros da ordem de US$ 500 mil, ao final de quatro anos, em decorrência do aumento da taxa de reprodução em cativeiro. De acordo com os sócios da Mister Kayman, o empresário italiano Sílvio Garabuggio e sua mulher, a jornalista Cristina Muradas Ruffo, a crescente política de combate e fiscalização à caça predatória pelo Ibama e as altas taxas de fecundação dos jacarés-de-papo-amarelo em cativeiro foram os maiores responsáveis pela reversão da extinção do anfíbio no Brasil. A criação dos jacarés-de-papo-amarelo do casal é uma abertura acidentada no meio das vegetações de mata atlântica original do Estado. Apesar de uma placa alertar na entrada ?Cuidado animais ferozes!?, os bichos recebem tratamento de príncipe - pelo menos enquanto filhotes, já que podem atingir até dois metros, 30 quilos e pôr 40 ovos por ninho. Graças a esse tratamento ?vip?, o criatório Papo-Amarelo vem conseguindo números espetaculares de reprodução da espécie em cativeiro. De acordo com a Esalq, em 2002 foram eclodidos 1.400 ovos de filhotes nos criatórios conservacionistas controlados pela USP. No mesmo período, o criatório alagoano produziu 975 ovos postados, com 929 novos jacarés. ?Mais de 95% de taxa de natalidade?, festeja Sílvio.