Economia
Comodidade, entretenimento e lazer, os segredos do Iguatemi
EDIVALDO JUNIOR De capitão do Exército a comandante de shopping foi um pulo. Administrador de empresas com pós-graduação em marketing, advogado, Robson Rodas é, aos 46 anos, um executivo de sucesso na administração de grandes centros comerciais. Em 82 deixou a vida militar, aos 22 anos, fez carreira no Bompreço Alagoas. De lá saiu como diretor. Foi contratado pela construtora OAS, para assumir, 15 anos atrás, o comando do Iguatemi, que se preparava para abrir as portas (a inauguração foi no dia 11 de abril de 1989). Para encurtar a história, Rodas se especializou no ramo, abriu (montou projetos, fez planejamento, etc.) ao longo da carreira outros 15 shoppings ? espalhados de norte a sul do País. Hoje, ele é o dono da Pró-Shopping, empresa que administra o Iguatemi em Maceió e outros dois shoppings ? um em Aracaju, SE, e outro em Manaus, AM. Com a experiência de quem conhece tudo do ramo, ele está comandando mais uma inovação no Iguatemi ? o Centro Médico que vai funcionar no piso superior da antiga Mesbla. Hoje, o fluxo médio de pessoas no Iguatemi é de 21 mil pessoas/dia. Se as projeções se confirmarem, o Centro Médico ? que terá desde clínicas especializadas, laboratórios, escola de enfermagem até um minicentro cirúrgico ? deve aumentar em duas mil pessoas o fluxo diário no shopping. Porque tantas pessoas vão ao shoping ? em períodos de maior movimento, a exemplo do Natal o fluxo aumenta em 50% - todos os dias? Rodas resume: comodidade, serviços, lazer, entretenimento e, claro, o mix (diversidade de lojas e produtos). ?Quer ver uma coisa interessante? Quando comecei em shopping o mais importante eram as lojas âncoras. Hoje é o lazer, a comodidade que contam mais?, revela Robson Rodas. Manter uma loja no Iguatemi custa bem mais caro do nos shoppings de bairro. A média do custo do aluguel é de 60 a 70 reais por metro quadrado. O mais caro é o condomínio, que chega a 100 reais por metro quadrado. Mas apesar de custos mais altos, Rodas não tem dificuldades em alugar as lojas. No pior momento de crise o Iguatemi chegou a ter três lojas fechadas ? sem interessados. ?Hoje, temos dificuldade em atender aos pedidos de locação?, resume. Conselhos Para quem quer montar um negócio no Iguatemi, Rodas aconselha: ?É preciso ter um bom negócio, com uma boa margem de lucro. Pesquisar é fundamental?. O público predominante é formado pelas classes B e C. ?Vem gente da classe A, mas em pequeno número. Esse é um fenômeno mundial. As pessoas de maior poder aquisitivo estão morando em locais mais afastados. Isso termina distanciando-as dos shoppings?, avalia. Para quem quer montar negócio em outro shopping, o executivo avisa: ?Observe se tem estacionamento?. De acordo com Rodas, a falta de estacionamento é um problema grave. ?Foi isso que atrapalhou o Shopping Farol e, um pouco menos, o Cidade?. Essa mesma lógica não vale para o Miramar. ?Lá tem estacionamento, mas não tem cinema. Falta lazer, entretimento. No Iguatemi tem estacionamento, cinema, jogos, uma grande praça de alimentação. As pessoas vão aos shoppings por comodidade. Você não vai sair da sua casa, pegar o carro e chegar num shopping e não ter onde parar o carro, ou vai?? Outra avaliação importante de Rodas: o futuro dos shoppings é absorver o comércio tradicional das cidades. ?Em Aracaju estamos montando, junto com o governo, um shopping em pleno centro da cidade. Acho que esse é o futuro. Os shoppings vão substituir cada vez mais o comércio central como conhecemos hoje?, aponta.