Economia
Shoppings de bairros se recuperam da crise
EDIVALDO JUNIOR O fantasma da crise ainda ronda os shoppings de Maceió. Mas hoje já não assusta tanto. Quem fechou, fechou. Os que sobreviveram passam por uma fase de crescimento ou de recuperação dos negócios. E fazem planos para atrair cada vez mais clientes. A partir de 1997, com a inauguração do Shopping Farol, o negócio virou moda em Maceió. Na seqüência, foram inaugurados os shoppings Cidade, Miramar, Mangabeiras, Cambona e outros menores. Montar uma lojinha no shopping era, então, o sonho de muitos pedevistas. Virou moda. Ex-funcionários públicos estaduais pegavam o dinheiro que recebiam do Plano de Demissão Voluntária e aplicavam numa loja. No papel, todos sonhavam com vida nova. Virou pesadelo. Sem experiência, a maioria dos pedevistas desapareceu dos shoppings. Muitos amargaram prejuízos irrecuperáveis. ?Eram pessoas sem experiência no comércio?, resume o síndico do Miramar, Altacir Valente. A gerente do Shopping Cidade compartilha da opinião. ?Hoje buscamos lojistas profissionais. É preferível manter uma loja fechada a alugar para alguém sem conhecimento do ramo?, afirma Cecília Acioli Albuquerque. O empresário Fernando Soares, proprietário do Shopping Farol, segue a mesma linha. ?Ao alugar uma loja, procuramos saber se o interessado entende do negócio?, adianta. Antes de continuar esta história, é bom que se diga, que o Iguatemi ? o maior shopping do Estado ? é um capítulo à parte. É caso único. Hoje, os outros shoppings se auto-definem como ?de bairro? ou ?de conveniência?. Não disputam mais entre si. Tentam sobreviver. Serviço Se no passado o Estado ? com os pedevistas inexperientes - foi um problema, hoje é a salvação. O Miramar está apostando suas fichas no posto de serviço do Detran montado recentemente no shopping. ?Hoje, o Detran está funcionando com vistoria agendada, o que já tem ajudado a melhorar nosso fluxo. Nas próximas semanas outros serviços devem ser incorporados?, aponta Altacir Valente. Dos três maiores shoppings de bairro, o Miramar é o que vive hoje a pior situação. Das 115 lojas, em média com 17 m2 cada, quase metade está de portas fechadas. E não é por falta de preço atrativo. Hoje, os custos de uma loja no Shopping Miramar, localizado no Barro Duro, ficam em torno de R$ 400 mensais ? incluindo aluguel e condomínio. Mas se depender dos planos do síndico e da gerente ? Somaia Zenaide - logo as lojas voltam a se valorizar. ?Nosso fluxo está melhorando. Pulamos de uma média de 1,5 mil pessoas para duas mil pessoas/dia. Já fechamos contato com lojas boas, de nome. Temos contatos adiantados com a Justiça do Trabalho, escritórios de advogados e com a prefeitura. Vamos ampliar os serviços, o que deve aumentar a freqüência?, afirma. Alternativa Outra estratégia adotada pelo Miramar foi destinar as lojas do piso superior para escritórios e do piso inferior para lojas. ?Depois disso, conseguimos aumentar a procura por imóveis e nossa situação melhora a cada dia?, resume um otimista Altacir Valente. Otimismo, aliás, é o que não falta a Cecília. Ela garante que o Shopping Cidade, onde a manutenção de uma loja, com área média de 26 m2, custa cerca de R$ 1,5 mil mensais ? gastos com aluguel, condomínio e fundo de promoção e propaganda (FPP). ?Hoje temos cinco lojas fechadas. Mas são lojas que estão sendo reformadas para uma instalação de uma agência do Banco do Brasil?, afirma. Na época mais crítica, Cecília lembra que chegou a ficar com 13 lojas fechadas. ?Depois que o pessoal do PDV saiu, fomos buscando profissionais mais experientes?. Fechada mesmo, segundo Cecília, só existe hoje uma das 64 lojas do Shopping Cidade. ?Estamos avaliando propostas. Nos tornamos exigentes e só alugamos o ponto para empresários que demonstrem potencial?, explicou. A abertura de uma agência do Banco do Brasil, acredita Cecília, deve melhorar o fluxo de pessoas ? estimado por ela em quatro mil/dia. Depois de enfrentar problemas similares aos outros shoppings, o Farol encontrou fôlego no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) ? um complexo de serviços de órgãos públicos que funciona no piso superior do empreendimento. As 60 lojas do Shopping Farol têm, em média, 30 m2. E seus custos de manutenção (aluguel, FPP e condomínio) são similares ao Cidade. Fernando Soares estima em sete mil pessoas/dia o fluxo do shopping. Grande parte do público ? de mil a 1,5 mil pessoas ? vai até lá para resolver problemas no SAC. Outro ponto forte são os cinemas. ?Juntos, SAC e cinemas trazem cerca de três mil pessoas por dia?, resume. O futuro desses negócios, se depender dos seus administradores, é promissor. Otimismo é o que não falta num Fernando Soares, 65, que direciona os negócios para o público que mora próximo ao shopping. ?Esse é um shopping de bairro. Temos que trabalhar direcionado para o público que mora, no máximo, a 5 km do shopping?.