Economia
Crise assusta investidor
Brasília - A dificuldade do governo Lula de unificar discursos sobre temas nacionais, combinada com divergências na base aliada, pode ser um dos motivos da piora das estimativas para um indicador importante das contas externas do país: o total previsto para os investimentos estrangeiros diretos para 2004, que foi reduzido de US$ 12,5 bilhões para US$ 12,1 bilhões, segundo indicou ontem o relatório semanal de mercado, elaborado pelo Banco Central com bancos e consultorias. Em 2003, o Brasil recebeu US$ 10,144 bilhões em investimentos estrangeiros diretos ? o menor resultado desde 1995. Em janeiro, a previsão do BC para 2004 era de US$ 13 bilhões. ?O governo Lula atravessa um período de crises. Quando não são ameaças de CPIs, são os improvisos. Existe ainda o fogo amigo da base de apoio. A última novidade é a briga entre ministros?, afirma o diretor da corretora carioca Ágora Senior, Álvaro Bandeira, em referência à notícia de que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, chamou Guido Mantega (Planejamento) de ?vagabundo?. Para o analista, o ?constante assembleísmo? no debate de temas nacionais e a falta de unidade nos discursos dos líderes políticos deixam o estrangeiro com receio, criando um ambiente desfavorável à atração de investimentos externos. ?É preciso que Lula e seus ministros se esmerem em acalmar o capital.? Um dos últimos episódios é a proposta de elevar em três pontos percentuais a contribuição previdenciária para pagar a dívida de US$ 12,3 bilhões com os aposentados.