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AUMENTO NO PREÇO DA CARNE IMPACTA CONSUMO DO ALAGOANO

Segundo dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) do IBGE, em 12 meses a alta acumulada já chega a 35,68%

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Muitos alagoanos estão substituindo a carne de boi por outra proteína, diz Associação dos Supermercados de AL
Muitos alagoanos estão substituindo a carne de boi por outra proteína, diz Associação dos Supermercados de AL -

Desde o ano passado, a mesa do alagoano vem sofrendo pelo aumento dos preços da carne, produto essencial da dieta brasileira. E não é só por aqui. Segundo dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), divulgados pelo IBGE, em 12 meses, a alta acumulada já chega a 35,68%. As carnes de segunda, as mais consumidas pelas classes mais baixas, acumularam um aumento de até 27%. Apesar da alta, de acordo com o presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas, Raimundo Barreto, a alta não tem prejudicado a venda da carne de boi, porém, ela tem sido substituída.

“Os preços estão em alta desde o início da pandemia e está oscilando um pouco. Com relação as vendas, não caiu e permanece. O consumidor tem comprado derivado, mas a carne de boi permanece sem reclamações. O pessoal muda o tipo de carne, mas não deixa de consumir não”, disse.

No Mercado da Produção, onde os preços são mais populares, é possível encontrar todos os tipos de carne de primeira e de segunda, além de miúdos. As carnes estão a partir de R$ 30. “Desde o começo da pandemia que registramos um aumento. Durante a pandemia foi aumentando e a cada dia que passa fica mais cara. Eu acho que isso é devido à exportação da carne e a pandemia que acabou prejudicando”, disse o permissionário João Lemos, que trabalha no mercado há 4 anos.

“Está muito caro. Eu saio do Trapiche para o Mercado para comprar porque é mais em conta e ainda tenho que pesquisar. Compro carne por mês e são poucos quilos. A galinha está de R$ 11,50. Aumentou foi tudo e o salário nada”, desabafou Lúcia Silveira.

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Com o desarranjo do mercado e os fornecedores preferindo exportar a abastecer a demanda interna, o preço da carne puxa ainda outros aumentos, em todos os produtos de origem animal. E quem sente os grandes valores pesarem no bolso são os consumidores.

“Faz três meses que eu não passo nem perto da carne de boi. A gente tem que ser criativo. Fugi para o frango, para o ovo, aumentei um pouco a salada, e fui encontrando soluções, porque está um absurdo!”, relata a aposentada Yolanda Romão. No momentos da compras diárias, ela afirmou ainda que, tendo em vista os aumentos dos demais itens alternativos aos quais ela recorre, a opção é diminuir também o consumo dos outros tipo de carne. “Hoje eu vim para observar e ver como estão as coisas. Se continuar assim, também vou sair do frango. Ao invés dos preços baixarem, para nos ajudar frente a pandemia, tudo aumenta. É sem futuro”, relata. Para Julielison Souza, universitário, o impacto no consumo de proteína também foi grave e, o aumento no preço do ovo, alternativa para onde recorreu, preocupa bastante. “Consumia uma média de 3 quilos por semana. Hoje apenas cerca de 1 quilo. A gente busca outros meios de proteína, ovos ou soja. Mas, até mesmo esses itens aumentaram consideravelmente. Uma dúzia de ovos que eu comprava por cinco reais, hoje já está sete. Sem dúvida, isso preocupa”, afirma. O universitário teme ter que assumir apenas a soja como proteína, caso os preços sigam em aclive. Ele responsabiliza as medidas de restrição, em especial o lockdown, pelo impacto na economia do pais. No entanto, as causas do aumento dos valores vão muito além. Alissandro Melo, gerente de uma rede de supermercados na capital, explica que o aumento do preço nos produtos de origem animal parte do mercado externo, pela preferência dos fornecedores pela exportação no último ano. “A gente vem acompanhando um aumento de preços agressivo. Propício ao momento em que estamos, devido a demanda de exportação. Os criadouros estão preferindo o mercado externo e isso acaba desabastecendo a oferta interna. É o que a gente escuta dos fornecedores. Segundo alguns, até mesmo o desespero das pessoas fora do Brasil, no início da pandemia, atrás de mantimento, o que desabasteceu muitas redes de supermercado lá fora, abriu mas o mercado”, aponta. Mesmo assim, para a rede que gerencia, a baixa no consumo da carne ainda não afetou significativamente o faturamento. “Com o aumento de muitos preços, em faturamento nós tivemos uma pequena subida. O ócio da população durante os períodos em casa também fomentam o consumo. Nós adotamos estratégias internas para driblar os impactos das restrições e conseguimos nos sair bem”, desataca o gestor.

* Sob supervisão da editoria de Economia

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