Economia
Pindorama � ilha pr�spera, mas cercada de problemas
EDIVALDO JUNIOR Pindorama pode ser ilha de prosperidade, mas está longe de ser um paraíso. Não é cidade, nem povoado. É uma colônia com sede administrativa e 25 aldeias espalhadas por três cidades diferentes. Depende, portanto, do humor político de prefeitos e vereadores para resolver os problemas básicos da comunidade ? cerca de 30 mil pessoas. Um exemplo das dificuldades da cooperativa é a estrada de acesso à sede administrativa ? uma rodovia de seis quilômetros. Foi asfaltada somente há dois anos, quando 20 anos atrás os acessos à maioria das outras destilarias e usinas do Estado já eram de asfalto. Mas, pelo menos nos últimos quatro anos, Pindorama parece que começou a cair nas graças dos governos. ?Finalmente enxergaram nossa importância?, desabafa Klécio dos Santos, presidente da cooperativa. Além da rodovia, a cooperativa ?ganhou? um projeto de irrigação e programas de crédito voltados para a agricultura familiar. As prefeituras começaram a dar mais atenção, pavimentando ruas e construindo escolas. Mas ainda falta muito. Quem vai lá enxerga uma cidade, mas não vê hospitais, bancos (apenas postos de saúde ou de serviços) e nem mesmo uma igreja matriz. E não é só. A ?ilha? também está sujeita a crises e administrações ineficientes. No final de 1998, Klécio dos Santos tomava posse como presidente da cooperativa. E encontrou uma situação irrecuperável para empresas comuns: dívidas de mais de R$ 30 milhões, crédito zero na praça. ?O maior medo era não iniciar a moagem na destilaria?, lembra. Naquele ano, as fábricas de sucos e derivados de coco produziram 1,5 mil caixas e a destilaria moeu pouco mais de 200 mil toneladas de cana. Hoje, a situação é melhor. A Usina Pindorama terminou a safra há uma semana, moendo 650 mil toneladas de cana (33 milhões de litros de álcool e 500 mil sacas de açúcar) e fechou 2003 produzindo quase dez mil caixas de sucos e derivados do coco. Milagre? Não. Klécio dos Santos atribuiu a recuperação ao modelo. ?Se isso aqui não fosse uma cooperativa teria quebrado. É a união dos pequenos que torna possível um grande sonho?, argumenta. Mas ele próprio admite que é preciso mudar os conceito para evitar novas crises. ?Foi por isso que investimos na usina. Com ela, temos mais força no mercado e mais independência. Estamos nos modernizando, crescendo para não ser engolidos pelos grandes?, enfatiza.