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Concursos aquecem mercado de ensino no Estado

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FELIPE FARIAS Estabilidade é a palavra mágica que está por trás de um grande mercado em ascensão no Estado. A procura do emprego garantido e do salário certo todo mês, nos últimos cinco anos, milhares de alagoanos invadiram as salas de cursos preparatórios, compraram apostilas, pagaram taxas de inscrição e garantiram bom rendimento às empresas e instituições responsáveis pela elaboração e aplicação das provas e de outras etapas da seleção. E pelo menos mais cem concursos podem ser realizados pelas prefeituras alagoanas este ano. Só o Executivo estadual nomeou mais de 15 mil aprovados. ?Temos consciência de que essa decisão política do governo Ronaldo Lessa fez surgir uma série de atividades paralelas, relacionadas à preparação para os concursos, que também geraram empregos; além dos empregos do próprio concurso?, comemorou o secretário de Administração, Valter Oliveira. ?Com certeza é um mercado em ascensão?, salientou o empresário Eduardo Sarmento, dono de um curso preparatório. Até o ano passado, ele trabalhava com turmas para o vestibular, agora, só trabalha para esse segmento. E, pelo visto, não se arrepende: somente para o concurso da saúde, concluído esta semana, ele abriu (e preencheu) sete turmas. E já prepara mais três ou quatro para novos concursos que vêm por aí. Número recorde O procurador chefe do Trabalho em Alagoas, Antônio Oliveira Lima, salientou que o Estado é o único do País a ter atingido a meta de 70% de preenchimento de cargos para o Programa de Saúde da Família (PSF) por meio de concurso. ?No momento, é certamente um dos que mais realizam concursos em todo o Brasil?, informou. Para ele, a Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) tem sua parcela de responsabilidade nesse verdadeiro exemplo de legalidade administrativa. ?Só em relação às prefeituras, já são dois anos de cobrança da regularização do acesso ao serviço público via concurso?, lembrou o procurador. É tanto para quem prepara, quanto para quem busca a tão sonhada estabilidade, as perspectivas são, no mínimo, otimistas. No âmbito federal, há pelo menos três novos concursos previstos. E no estadual, no mínimo quatro. Mas, é na esfera municipal que a situação pode beirar a euforia: pode haver nada menos de uma centena de concursos por acontecer, realizados pelas prefeituras e câmaras de vereadores, que ainda possuem muita gente contratada irregularmente, ou simplesmente preencher vagas que outros processos de seleção não conseguiram. As turmas não têm menos de 50 alunos, as matrículas e mensalidades são proporcionais ao status do cargo (quanto mais alto o cargo, mais caras as matrículas e mensalidades) e o número de inscritos cresce conforme a oferta: quanto mais concursos aparecerem, mais gente haverá para se preparar. Além disso, há os que buscam a estabilidade com tamanho afinco que estudam por anos a fio, fazem mais de um concurso (mesmo que passem) e consideram que uma boa preparação não pode ter menos de um ano. É nessa conjuntura que atuam os cursos preparatórios. De acordo com avaliação do próprio setor, existem três considerados de grande porte que trabalham exclusivamente com preparação para os processos de seleção para o serviço público. Outros dois, também considerados grandes, atuam com uma preparação mista (vestibulares e concursos). Fora esses, há os que dão disciplinas isoladas, os de pequeno porte e os de bairro, direcionados apenas a algumas comunidades, como Benedito Bentes. Caça-níqueis ?E não se pode esquecer que há os caça-níqueis?, esclareceu um empresário do ramo. São aqueles que oferecem uma preparação considerada muito aquém da que o candidato vai realmente precisar e estão de olho mesmo no dinheiro das inscrições. Seja como for, o setor está sendo considerado em expansão; tendência que é associada ao mandato do governador Ronaldo Lessa. O empresário Eduardo Sarmento comemorou a conclusão recente de um processo de preparação que lhe trouxe muitos alunos. Para o último concurso da Saúde, ele abriu nada menos de sete turmas preparatórias. E cogita abrir mais três ou quatro para as seleções a cargos federais que vêm por aí. As inscrições para o concurso do Ministério Público Federal estarão abertas no período de 6 a 26 de abril e para um cargo que exige Ensino Médio, o salário oferecido é de nada menos que R$ 2.056. A taxa de inscrição para esse cargo é de R$ 45. Já dos concursos para a Polícia Federal e para o Tribunal Regional Eleitoral ainda se espera a publicação dos editais, o que deve acontecer até 15 de abril e entre o fim de março e começo de maio, respectivamente. ?Para esses, há menos turmas preparatórias porque, como a exigência é mais selecionada, na maioria, de nível superior, a procura aqui no Estado é bem menor. Na minha opinião, isso mostra que o Nível Médio é o nível de escolaridade predominante no País?, cogitou o empresário. Ele atesta que o que mais motiva os candidatos é mesmo a estabilidade. ?A maioria nem sequer visa o valor do salário; busca mesmo é ter todo mês aquele certo, nem que seja o mínimo?, afirmou.

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