Emprego
DESLIGAMENTOS POR MORTES NO COMÉRCIO AUMENTAM 40% EM AL
De acordo com os números levantados pelo Diesse, o aumento em Alagoas é o 5º menor do Brasil e o segundo menor do Nordeste
O número de trabalhadores do comércio em Alagoas desligados por morte aumentou 40% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados constam em levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa levou em consideração os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
De acordo com os números, o aumento em Alagoas é o 5º menor do Brasil e o segundo menor do Nordeste. Em todo o Brasil, nos seis primeiros meses deste ano, o número de trabalhadores com carteira assinada desligados por morte subiu 87% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Dieese focou o estudo no comércio. No varejo, os desligamentos do trabalho por morte subiram 92% e, no comércio atacadista, quase dobraram, com alta de 99%. Somente no Amapá, houve menos trabalhadores formais do comércio que morreram no primeiro semestre deste ano, em comparação com o período de janeiro a junho do ano passado. A redução foi de 17%.
Os demais estados, como Alagoas, apresentaram alta. No Paraná, os desligamentos por morte aumentaram 175%; em Mato Grosso do Sul, a quantidade subiu 172%; em Rondônia, 154%; e, no Distrito Federal, subiu 151% a quantidade de trabalhadores do comércio que morreram. O cargo que registrou a maior alta de mortes foi o de vendedor de comércio atacadista, com elevação de 204%; depois vêm assistente administrativo e auxiliar de escritório, os dois com alta de 122%; e motorista de caminhão, com crescimento de 121%. De acordo com o Dieese, o alto número de desligamentos de trabalhadores por morte durante o primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, é consequência da pandemia de covid-19. Outro levantamento do Dieese aponta que entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021, os desligamentos dos empregos celetistas por morte no Brasil cresceram 71,6%, passando de 13,2 mil para 22,6 mil. Nas atividades de atenção à saúde humana, o aumento foi de 75,9%, saindo de 498 para 876. Entre enfermeiros e médicos, a ampliação chegou a 116,0% e 204,0%, respectivamente. Entre todas as atividades econômicas, as que apresentaram maior crescimento no número de desligamentos por morte estão: educação, com 106,7%, transporte, armazenagem e correio, com 95,2%, atividades administrativas e serviços complementares, com 78,7% e, saúde humana e serviços sociais (agregado), com 71,7%. Um outro levantamento, feito pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho a pedido do portal de notícias G1, mostra que as ocupações com maior número de desligamentos por morte são motoristas de caminhão, faxineiros e vendedores. Quando se verificou o maior crescimento percentual no número de mortes nos primeiros quatro meses de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado, os maiores aumentos também abrangem ocupações que exigem atividades presenciais, e em alguns casos consideradas essenciais, como motoristas de ônibus e caminhões, operadores de caixa, frentistas, zeladores e porteiros de edifícios. O levantamento também foi baseado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, ou seja, reflete apenas o mercado formal – não traz as causas das mortes. Portanto, não há como relacionar os óbitos com a Covid-19. Mas o cenário mostra que, na pandemia, as ocupações que exigem atividades fora de casa são as mais afetadas