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Inflação

ALTA NO PREÇO DOS ALIMENTOS AFETA RESTAURANTES LOCAIS

Empresários do ramo de restaurantes contam que estão diante do dilema entre aumentar os preços ou diminuir a margem de lucro

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83% dos empresários têm a percepção de que alimentos e bebidas subiram mais de 10%
83% dos empresários têm a percepção de que alimentos e bebidas subiram mais de 10% -

A alta no preço dos alimentos tem afetado não somente os lares. Quem atua no ramo de alimentação tem sentido na pele, ou melhor, no prato, os aumentos. Empresários do ramo de restaurantes contam que estão diante do dilema entre aumentar os preços ou diminuir a margem de lucro. Este é o caso, por exemplo, de Gabriel Simões, Chef do restaurante DiGramado, em Maceió. “Estamos com um desafio grande com relação a esse fato, uma busca constante de um fornecedor que traga qualidade junto a um preço bom, infelizmente precisamos repassar esse aumento para o cliente final”, revela. Simões destaca que os pratos mais caros ainda são os de frutos do mar, porém cortes de cordeiro, filé mignon bovino e as aves têm tido o maior aumento nos nossos fornecedores. “Estou a pouco tempo em Maceió, porém vi nitidamente a mudança desde o início da minha chegada, fiz uma pesquisa de mercado para conclusão de fichas técnicas, desde então os preços tiveram um acréscimo bem razoável no qual precisei revitalizar algumas vezes os valores nas fichas”, detalha. O chef relata que não sentiu diminuição no fluxo de clientes, porém ressalta que está com valores promocionais. “Como consumidor posso assegurar que tenho mudado alguns costumes para alinhar a realidade desta constante mudança de preços. Fico aflito em conseguir transmitir uma boa qualidade aos nossos consumidores, estamos diminuindo nosso lucro para tentar dividir a conta, esperando que tudo logo se estabilize”, afirma. Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em todo o Brasil aponta que 83% dos empresários do ramo têm a percepção de que alimentos e bebidas subiram mais de 10% no primeiro semestre, embora o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] tenha fechado em 3,77% no período. Além disso, 84% disseram acreditar em novas altas até o fim do ano. Os reajustes estão sendo repassados aos cardápios, mas não de maneira integral – 64% disseram ter aumentado os valores dos pratos no primeiro semestre. Mas, destes, quase metade (44%) disseram ter aumentado os preços entre 5% e 10%. O presidente da entidade, Paulo Solmucci explica que “ainda que a inflação alta tenha tido impacto nos preços, o repasse para o cardápio foi menor, pois o setor teve um ganho de produtividade significativo na pandemia, o que ajudou a absorver parte dos custos”.

MAIS CARO

Luciano Sobral é dono do bar Minha casa restobar, em Maceió, e conta que “o cliente termina pagando mais caro”. “Sabemos que isso prejudica nosso faturamento, os clientes veem os produtos caros e desestimulam o consumo”, explica. Ele conta que para não perder clientes diminuiu a margem de lucro. “Imagina só, uma empresa que está saindo de uma pandemia de um ano e meio sem faturar ainda ter que baixar a margem de lucro. Tive que vender alguns equipamentos para poder continuar aberto”, revela. O empresário conta que mesmo assim o fluxo de clientes diminuiu. “Tanto pelo decreto, que estávamos trabalhando com apenas 50% da capacidade, como também os que veem e ficam menos tempo, causando a diminuição do ticket médio por mesa. Hoje estamos tendo que nos reinventar. Criamos pratos mais baratos, para tentar atender o poder de compra atual dos clientes”, relata. Isabella Bezerra, que é dona do Nakaffa Cafés Especiais, também na capital alagoana, reclama que o preço dos alimentos em geral aumentou muito. “Carne, salmão, frango e queijos tiveram um aumento muito superior à inflação, o que gera um impacto direto no preço das refeições”, alerta. Segundo ela, fica muito difícil não repassar o custo para o produto final. “No nosso caso, café e bistrô, esses itens estão presentes em quase todo nosso cardápio. Além da alta dos preços também estamos encontrando dificuldade em conseguir alguns desses produtos no mercado. Cada vez mais tem sido necessário pesquisar com diversos fornecedores antes da aquisição, trocar informações com amigos do segmento. E também adquirir uma quantidade maior quando conseguimos um preço melhor no mercado”, conta. Contudo, segundo ela, apesar de toda essa situação, não houve queda no fluxo de clientes nem mudança significativa nos hábitos de consumo. “Acredito que a pandemia, o isolamento, as restrições geraram uma demanda reprimida. A necessidade de reviver costumes anteriores, de viver a experiência da ‘vida normal’ contribuíram para manter o fluxo atual em alta”, avalia.

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