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Economia

Super�vit bate recorde e supera meta do FMI

O setor público (União, estados, municípios e empresas estatais) obteve um superávit primário (receita menos despesas, excluído o pagamento de juros) recorde de R$ 10,282 bilhões em março. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, o superávit é o

Por | Edição do dia 24/04/2004 - Matéria atualizada em 24/04/2004 às 00h00

O setor público (União, estados, municípios e empresas estatais) obteve um superávit primário (receita menos despesas, excluído o pagamento de juros) recorde de R$ 10,282 bilhões em março. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, o superávit é o maior desde o início da pesquisa, em 1991. A divulgação desse aperto fiscal, que reflete, entre outros fatores, o corte dos investimentos públicos, ocorre um dia após o anúncio do desemprego recorde em São Paulo. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o resultado do superávit foi influenciado, principalmente, pelas empresas estatais, que haviam registrado déficit em janeiro e fevereiro, mas tiveram superávit de R$ 2,985 bilhões. No primeiro trimestre, o setor público economizou para o pagamento de juros R$ 20,528 bilhões, ou 5,41% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o primeiro trimestre era de R$ 14,5 bilhões - ou seja, o país conseguiu uma folga de R$ 6 bilhões. Segundo Altamir, essa folga “favorece o cumprimento” da meta de superávit para este ano, de R$ 71,5 bilhões (4,25% do PIB). Seu cumprimento chegou a ser colocado em dúvida pelo banco norte-americano JP Morgan, em relatório divulgado na semana passada, provocando a disparada do risco-país. Sobre as críticas recorrentes de que um superávit primário alto impede investimentos e paralisa a economia do país, Altamir admitiu que o “superávit tem alguma influência sobre o nível de atividade”, mas lembrou que também favorece a estabilidade dos mercados, a redução da relação dívida/PIB e a queda dos juros. Mesmo cumprindo com folga suas obrigações até o momento, os pagamentos de juros da dívida pública acumulados no trimestre totalizaram R$ 31,351 bilhões e o país acabou registrando déficit nominal (receita menos despesas) de R$ 10,823 bilhões. O superávit primário de março, de R$ 10,2 bi, conseguiu superar os pagamentos de juros da dívida, que alcançaram R$ 10,207 bi no mês passado.

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