Economia
Gastronomia alagoana d� salto de qualidade
PATRYCIA MONTEIRO Se um turista tivesse conhecido Maceió há dez anos e retornasse nos dias atuais ficaria espantado com o aumento do número de restaurantes de nível internacional instalados na cidade. No passado, o visitante teria apenas três opções: o Massarela, o Divina Gula e o extinto Gstaad. Hoje, existem cerca de vinte estabelecimentos classe ?A?, segundo o Maceió Convention Bureau, onde se pode experimentar tanto as iguarias regionais quanto os requintados pratos da culinária estrangeira. E essa evolução não foi boa apenas para o paladar dos turistas e alagoanos, contribuiu, também, para a economia local. ?O crescimento do setor abriu espaço no mercado de trabalho, exigiu maior profissionalização da mão-de-obra local, mudou o perfil da produção agrícola do Estado e incrementou o turismo da região?, afirma Márcio Coelho, presidente da instituição. E não é exagero. De acordo com o Sindicato dos Restaurantes e Hotéis de Alagoas, há uma década, o mercado gastronômico de Maceió contava com cerca de 300 estabelecimentos e gerava seis mil empregos. Atualmente, a capital alagoana contabiliza mais de 500 restaurantes que empregam 14 mil funcionários. Nesse sentido, a procura por cursos profissionalizantes cresceu, bem como a oferta. Quem deseja trabalhar na área pode se tornar aluno do Sebrae, do Senac, Sesi ou ter aulas nos próprios sindicatos das categorias. ?Acima da questão numérica, é muito importante observar o salto qualitativo dado por esses estabelecimentos comerciais?, ressalta Márcio Coelho, que também é empresário do ramo hoteleiro. ?Restaurantes como o peruano Wanchaco, o mineiro Divina Gula e o regional Irmãs Rocha ganharam reconhecimento e renome na gastronomia nacional?, diz. Segundo Coelho, a elevação da qualidade se deve à ampliação da demanda turística no Estado, mas também à migração de chefs internacionais e brasileiros de outras partes do País que se radicaram na capital. ?Além de contribuir com a introdução de novos cardápios e novas técnicas no preparo dos alimentos, esses restaurantes logo se destacaram no mercado, atraindo grande número de consumidores, fazendo com que os concorrentes corressem atrás do prejuízo?, explica. Na opinião de Coelho, essa competitividade, quase inexistente antes, impulsionou um investimento maior na apresentação dos pratos servidos, na decoração dos restaurantes e na busca por novos e mais sofisticados ingredientes. ?E essa demanda por insumos gastronômicos não disponíveis no Estado fez com que os produtos orgânicos se tornassem uma grande sensação, há uns cinco anos, provocando um aumento na produção do cinturão verde da zona da mata alagoana?, diz. De olho nesse mercado, ávido por novidades, produtores rurais partiram para novas frentes de atuação, abrindo a possibilidade de criação de animais antes tidos como exóticos, mas que hoje já fazem parte do cardápio do gourmet alagoano como búfalo e avestruz. O cenário se tornou propício para o surgimento de novas empresas, como a Dumaia, especializada em carnes de ovinos abatidos e cortados dentro dos moldes europeus, que espera uma autorização do governo para trazer para o Brasil cinco mil cabeças de raças francesas e portuguesas de carneiros para produzir queijos nobres encontrados apenas no mercado internacional. ?No Brasil o consumo anual per capita de carne bovina é de 37 quilos, de frango é de 22 e caprino de apenas 1 quilo e meio. Mas aqui na Região Nor-deste a maior fonte de proteína ainda é a carne de origem caprina, por isso, sempre defendemos nosso produtos entre os donos de restaurantes e mostramos as inúmeras receitas de pratos que podem ser preparados com base neles?, defende Edilson Maia, antigo plantador de cana do município de São Miguel, proprietário da Dumaia. ?O tratamento que damos ao nosso produto é diferenciado?, afirma. ?Temos dezesseis tipos de cortes, comercializamos filé, contrafilé e até hambúrguer de cordeiro. Estamos estabelecendo novos hábitos alimentares em Alagoas?, argumenta o empreendedor com a autoridade de quem comercializa seus produtos para os grandes restaurantes de Maceió, independentemente de sua especialidade, seja ela dedicada a cozinha francesa, japonesa, tailandesa ou peruana.