Economia
CMN libera R$ 500 mi para financiar estocagem do �lcool
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a liberação de R$ 500 milhões para financiar a estocagem de 1,5 bilhão de litros de álcool etílico neste ano. Os recursos, que virão da arrecadação da Contribuição sobre o Consumo de Combustíveis (Cide), serão emprestados por meio de bancos públicos e privados. Com o empréstimo, uma reivindicação dos produtores de álcool, o governo dará aos empresários maior controle sobre os preços no período da safra, quando a cotação tende a cair devido ao excesso de oferta do produto. O valor do financiamento é igual ao que foi liberado para esse fim no ano passado. A maior parte dos recursos, R$ 450 milhões, irá para o Centro-Sul. Os outros R$ 50 milhões serão direcionados para o Norte/Nordeste. O crédito estará disponível para o Centro-Sul em maio e para o Norte/Nordeste em setembro. Esperanças O setor sucroalcooleiro está saindo de uma safra recorde de produção de cana e entrando em outra ainda maior. Nesta safra de 2004/5, a área de plantio deverá atingir 3,8 milhões de hectares na região Centro-Sul (mais 9,2%). Essa nova área deverá gerar 320 milhões de toneladas de cana-de-açúcar disponíveis para as usinas, 7% a mais do que o volume da safra 2003/4, que está terminando. Esse aumento de produção ocorre em um período de preços baixos, tanto no mercado interno como no externo, o que exigirá esforço ainda maior das usinas na administração de suas contas. O aumento do volume produzido, com queda nos preços, preocupa, salientou Eduardo Pereira de Carvalho, da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo). Mas o setor coloca todas as esperanças no potencial do mercado interno, principalmente no consumo de álcool, devido ao avanço da produção de carros bicombustíveis (funcionam com álcool e com gasolina). ?Com esses novos carros, os consumidores podem escolher o combustível que estiver com o preço mais competitivo. Com a competitividade que o setor adquiriu, o álcool será sempre uma boa opção à gasolina?, ressaltou Carvalho. Os preços do álcool só deixam de ser viáveis ao consumidor quando ultrapassarem 70% dos da gasolina. Neste mês, a paridade é de 38,5%, mas é atípica - é a menor já registrada na história do combustível. Ao contrário do que ocorreu em 2003, os produtores vão postergar a safra deste ano, em pelo menos três semanas para fugir dos preços baixos. O álcool anidro carburante recuou para R$ 0,48 por litro nas usinas em fevereiro, contra R$ 0,95 no mesmo período de 2003. Já a saca de açúcar (50 quilos), que custava R$ 45 em fevereiro de 2003, agora custa R$ 18.