Economia
Artesanato gera renda para 50 mil alagoanos
PATRYCIA MONTEIRO No Brasil, o artesanato movimenta 2,8% do PIB, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com relatório anual divulgado pelo Banco Nordeste, existem 850 milhões de artesãos que atuam no Nordeste, mas a cadeia produtiva do segmento envolve cerca de 2,5 milhões de pessoas na região. O Estado de Alagoas reúne 50 mil deles que estão isentos de contribuir com os antigos 17% de ICMS cobrados nos negócios fechados com as revendedoras de seus produtos, desde 2002. ?Sem a tributação houve um incremento de 20% no volume de vendas?, comemorou Oswaldo Viegas, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que defendeu a isenção do imposto no passado. ?Como outros estados, a exemplo de Pernambuco, não faziam a cobrança do imposto sobre essas transações, o mercado local corria o risco de perder boas oportunidades comerciais?, comentou. Mas, segundo Viegas a maior conquista vem sobretudo de outros indicadores. ?Em todos os bolsões de pobreza onde o artesanato entrou como fonte de geração e renda, verifica-se uma elevação no padrão de vida da população?, afirma lembrando que o setor vem se estruturando desde o começo da década. No Estado, 35% dos artesãos não têm o Ensino Médio completo e 13% são analfabetos. Apenas 10% têm renda média de 1 salário mínimo e 30% ganham até R$ 150 reais. Mas, dependendo da valorização de determinados produtos pelo mercado consumidor, a renda média de uma comunidade fica acima deste patamar como se dá em Feliz Deserto, produtor de cestarias, cujo rendimento mensal per capita gira em torno de R$ 600. A produção artesanal alagoana se divide em seis frentes: a tecelagem, o bordado, a cerâmica, a palha, a madeira e a renda. Desse contingente se destacam como artesanato de raiz o bordado Boa Noite da Ilha do Ferro e, do mesmo lugarejo, a movelaria criada por Fernando. Há também as figuras antropomorfas produzidas pela comunidade de Muquém, as cestarias do Pontal de Coruripe, as rendas de filé do Pontal da Barra e peças artísticas únicas do mestre André da Marinheira. Embora a criatividade e expressividade dos artesãos locais tenham caído no gosto de consumidores estrangeiros, as exportações ainda são eventos isolados, analisa Oswaldo Viegas. ?Isso porque ainda precisam ser consolidados uma série de conceitos sobre organização e padronização dos produtos junto às comunidades?, comenta. Baseado-se no preceito de que a união faz a força, o Sebrae, que vem fomentando a atividade em 16 municípios alagoanos, tem construído uma cultura associativista entre os artesãos. ?Em regime de cooperativas é muito mais fácil administrar, conseguir crédito, distribuir, estabelecer metas de produção e negociar preços?, enumera.