Economia
Empresa aposta na produ��o de galinhas caipiras
PATRYCIA MONTEIRO Foi preocupada com a própria alimentação que há quatro anos a empresária Ariana Belém resolveu deixar de lado os livros de História para entrar no ramo de agronegócios e criou a Terreira - primeira empresa em Alagoas dedicada à cultura de galinhas caipiras. Seguidora de uma dieta natural, onde carne vermelha não tem vez, Ariana percebeu que era crescente o número de pessoas que, como ela, se importavam com a procedência dos alimentos consumidos e partiu para o mundo dos negócios. Hoje, a Terreira é responsável pelo abate das galinhas ecologicamente corretas e atua em parceria com seus fornecedores. ?A terceirização confere eficiência a nossa produção?, diz Ariana, citando o modelo adotado por grandes empresas, como a Perdigão. No caso da Terreira, os pintinhos selecionados pela boa composição genética vêm de Brasília e São Paulo com um dia de nascidos. Do Recife vem a ração, 100% vegetal, livre de agrotóxicos ou de antibióticos. Mas é nos municípios de Barra de São Miguel e de Japaratinga que são criadas as aves em um regime de semiconfinamento. Cada uma das granjas dispõe de três galpões que separam os animais por fase desenvolvimento e têm capacidade de produzir 500 aves por mês. Os três primeiros anos de existência da Terreira foram dedicados à pesquisa. Ao longo de quatro anos foram investidos cerca de R$ 100 mil. As aves abatidas passaram a ser comercializadas com a marca há apenas dois meses e já abastece supermercados como Palato e Carnes e Verdes e alguns restaurantes de Maceió. As diferenças entre as galinhas naturais caipiras e os frangos ditos industriais que a maior parte da população consome são muitas. Os industriais são brancos, vivem em grandes galpões fechados em grupos de 15 mil. Em cerca de 40 dias são abatidos. As caipiras vivem em grupos de 500, toda a sua alimentação é vegetal, sem nenhum antibiótico. Criadas na fartura e com direito a banho de sol, as galinhas são abatidas em 100 dias. A diferença nos bons tratos se reflete no peso da ave, na textura e na cor da sua carne e, claro, também no preço. Enquanto o frango industrial chega ao consumidor custando até R$ 3, a galinha caipira pode atingir o preço de R$ 11.